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sábado, maio 28, 2005

'Tá tudo doido!

Reforma aos 65 anos. Porreiro!
Até parece que já estou a ver daqui:

— A idosa e alquebrada professora, com a sua bengalinha de castão doirado, oferta dos netos pelo Natal, entra na sala de aula e, no meio da algazarra da miudagem que não dá por ela entrar, dirige-se à secretária, onde um orgulhoso computador windows (que só funciona às vezes...) a aguarda, para escrever o sumário. Como não percebe nada de computadores, nunca percebeu e ninguém a ensinou, acaba por deixar a tarefa para depois, se entretanto o Alzheimer não a fizer esquecer. Senta-se na cadeira e dirige-se aos miúdos, que ainda não deram pela presença da idosa senhora, concentrados que estão a jogar e a ouvir música nos seus telemóveis última geração. Ela pigarreia e diz: "abram o livro na página 37, abram o caderno, e vão copiando o texto do livro a partir do capítulo 23 até a campainha tocar para a saída". Alguns miúdos, relutantemente obedecem. Outros continuam na galhofa que "a velha é surda..." A professora pressiona um pequeno botão por baixo do tampo da secretária. A empregada surge rapidamente "sôtora..." A velhota dirige-se a ela: "Gisela, se faz favor, traga-me um chá de camomila não muito quente sem açúcar e uma torrada. Ah, e traga também um copo de água para eu tomar os comprimidos da tensão". A empregada assim faz e deposita o tabuleiro sobre a secretária, voltando costas "com licença" e saindo. A professora come a torrada com pequenas dentadinhas cuidadosas para não lhe saltar a prótese dentária, enchendo o teclado de migalhas amanteigadas, e bebe em ligeiros golinhos o chá, salpicando também o rato que o Parkinson também é danado. Recosta-se um pouco para trás, que os bicos de papagaio estão a dar-lhe cabo das costas e, coisa de velhos, adormece suavemente. Acorda com o toque da campainha para a saída.


MAS ESTA GENTE ESTÁ TODA DOIDA, OU QUÊ !?

quarta-feira, setembro 29, 2004

finalmente, a paz...


Hoje recebi uma chamada da minha mulher, dizendo que já tinham saído as colocações, e pedindo-me para consultar o site na net.
De imediato, assim fiz, claro! Telefonei-lhe e informei-a do resultado, positivo, da consulta.

Senti que uma nuvem de ansiedade, stress e preocupação, que durava há vários meses, se dissipava soprada para longe pelos ventos da bonança.
A paz instalou-se cá em casa (acho que até o gato deu por isso).

Até ao próximo ano...

quarta-feira, setembro 22, 2004

semana PUTA...


Faz tempo que não passo por aqui.
É que de vez em quando o trabalho aperta, e o tempo escapa-se por entre os dedos como água pelo ralo do lavatório.
E nestes últimos dias têm sido tantas as questões a pedir um post...

Só para citar aquelas que melhor recordo:

dia 11
Uma familiar minha, em passeio no norte, sofreu uma queda, tendo sido transportada ao hospital de Braga.
Até aqui tudo bem, não fora tratar-se de pessoa que sofre de osteoporose, diabetes, tem uma prótese de anca, não tem vesícula, tem colesterol elevado, sofre de obesidade e mais algumas coisitas, além de ter 68 anos de idade.
A queda foi violenta, de costas e de uma altura de cerca de 1,5m., o sangue era abundante, as queixas eram muitas, e no hospital a única coisa que fizeram foi coser a cabeça, 10 pontos, e fazer 2 ou 3 rx ao tronco, em que não detectaram nada; nem um rx ao crâneo fizeram — estou a falar de uma pessoa de certa idade e com osteoporose e diabetes, caramba!
Regressada, 2 dias depois deslocou-se ao hospital do SAMS em Lisboa, onde o médico 'analisou' as radiografias, fez apalpação do tronco e também não detectou nada!
1 semana passou e não havia melhoras. Numa deslocação à médica dela, esta escandalizou-se com a ausência de rx ao crâneo, e apelidou os colegas de 'cegos', visto que num simples olhar das radiografias imediatamente detectou 2 costelas partidas, e a hipótese de mais uma ou outra numa zona escura!
2 hospitais, 3 médicos, uma catrefada de medicamentos desadequados, 1 semana de sofrimento...

dia 16
Faleceu o pai de um amigo meu. À medida que a idade vai passando, estas coisas vão-se tornando cada vez mais frequentes. Coisas assim já aconteceram a todos nós, certamente.
Mas este não foi um caso qualquer. Era o pai de um amigo especial e, por isso, era um pai especial. Era alguém por quem eu tinha um certo carinho.
Os problemas de saúde duravam há alguns anos, operações, transfusões, etc., e eu esperava um dia destes conseguir visitá-lo na casa dele para lhe dar um abraço. Nunca surgiu a oportunidade. Fica aqui o meu abraço ao Mário Peres.

dia 20
Deviam ter saído as listas com as colocações dos professores. Não saíram. E só Deus sabe a angústia e a dor que tem pairado nesta casa desde esse dia.
Horas e horas em frente ao computador a tentar entrar no site — a entrar sim, mas pela madrugada dentro — e aquela maldita mensagem 'devido ao elevado número de acessos ... impossível, por favor tente mais tarde', ou simplesmente o NADA. O ZERO absoluto. A ausência de informação. A ausência de listas. A presença das incompetências!

Porra, tem sido uma semana PUTA!