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sexta-feira, abril 29, 2011

Do pó vieste, ao pó voltarás



"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" Lavoisier dixit.


Bateu as asas furiosamente num derradeiro esforço para evitar o tombo fatal no chão. Não conseguiu. Algo no seu corpo falhou, talvez a alma efémera, e despenhou-se de grande altura sobre as lajes da varanda, onde o seu insignificante, frágil, minúsculo corpo vibrou ainda, zumbindo durante um pouco, deitado sobre as costas, num último e desesperado esforço para se endireitar e voar para longe dali. Foi inútil. O estertor da morte foi implacável.

Encontraram-na no dia seguinte, imóvel, vã, no seu frio leito de morte.


"Do pó vieste, ao pó voltarás" Génesis


José António Baptista

29-04-2011, Oeiras


fotografia: digitalização duma abelha achada morta no chão.


quinta-feira, julho 01, 2010

esvoaçando em busca de Tânato


Ontem à noite, enquanto trabalhava afanosamente para publicar alguns artigos num blog, para dar um pouco de repouso aos olhos já dolentes, olhei casualmente para a parede e vi esvoaçando como louca uma singela borboleta nocturna, que se aproximava, afastava, aproximava, afastava, e voltava a aproximar da incandescente lâmpada acesa, filamento rutilante como mil sóis, numa dança medonha, possessa, que logo deduzi ser uma inequívoca busca pessoal de Tânato. Para alguns temível, para ela talvez uma doce libertação.


Hoje de manhã, meio ensonado ainda, ao chegar ao meu poiso habitual em frente ao écran do computador, confirmei o que suspeitara na véspera.

Lá estava ela caída no chão, deitada sobre o dorso, sem se mover ou respirar. O seu longo caminho, a sua profícua busca, tinha terminado ali.



imagem © josé antónio • comunicação visual [ aqui ] reprodução proibida.


segunda-feira, maio 03, 2010

não ao preconceito SIM À PESSOA.


Não à discriminação. Direitos iguais para todos. Defendamos a dignidade de ser humano.


terça-feira, abril 13, 2010

Decálogo para la posguerra


para reflexão...


recorte afixado no portal duma igreja

Igreja de Guitiriz, Galicia

22-08-1991


fotografia © josé antónio • comunicação visual, reprodução proibida.


sábado, novembro 28, 2009

Questionando Cronos


O tempo cronológico dividido em momentos [ instantes, fragmentos, pedaços, porções, cagagésimos ] mensuráveis de dimensão diversa - anos, meses, dias, horas, minutos, segundos, etc. - o tempo dizia, é uma invenção, concepção e conceptualização humanas, assim como os instrumentos concebidos e fabricados pelo ser humano para medir e registar o tempo - a ampulheta, o relógio, o cronómetro, etc. O tempo é o Homem que o pensa e o faz.


Imaginemos que um fenómeno trágico de proporções inimagináveis - mas mesmo assim imaginemos... - destruía toda a vida biológica na Terra, e só a vida orgânica, nomeadamente a Humanidade. Por exemplo, uma espécie de 'bomba atómica bioquímica', que destruísse só os seres vivos e deixasse intactos e funcionais os objectos, máquinas e equipamentos.


Durante algum tempo os relógios continuariam a funcionar, presume-se. Mas não haveria ninguém humano vivo para os usar e neles medir o tempo e ver as horas.


Neste contexto podemos dizer peremptoriamente que, p.ex., a 'hora' continuaria a existir per si?


O tempo, enquanto carácter universal e 'constituinte' da matéria [ continuum espaço-tempo ] continuaria a existir, claro, e continuaria a passar, se é que 'passa'. Tempo é devir, é mudança, é movimento.


Mas sem haver ser humano para usar o conceito de tempo, para intuir, para nomear e usar a noção de hora e medi-la podemos dizer que esta continuaria a existir?


Enquanto pedaço de tempo no fluxo deste, sim. Mas enquanto conceito? Enquanto ideia? Sim ou não?


Inclino-me mais para o NÃO...


Aceitam-se sugestões.


imagem © josé antónio • comunicação visual


quinta-feira, novembro 26, 2009

sou munta feio por dentro


Desde rapaz sempre me achei feio. Verdade, verdadinha. Apesar de a minha mãe e o meu pai, a minha avó, as minhas tias e demais familiares, e vizinhas e amigas delas, me dizerem, e dizerem umas às outras, que eu era um rapaz tãããããão bonito, tãããããão lindo, sempre que olhava o meu rosto orelhudo e grosseiramente triangular no espelho... achava-me feio. Não havia nada a fazer. Prontos!


As orelhas pareciam-me pontiagudas e desproporcionadas para o tamanho do rosto. E de abano, inda por cima.

Sentia-me um cruzamento dum elefante com um reco assuinado. Aliás, trombas era o que não me faltava!

O meu ar, para mim, ligeiramente merceeiro talvez fosse herança genética do meu bisavô, taberneiro em Torres Vedras. Ou dos meus ancestrais circenses, certamente, por via deste facto, algo labrêgos.


O facto das moças da minha idade, por algumas das quais eu tinha um interesse que transcendia a simples amizade, dizia-me o meu estranho em crescendo pénis, talvez fosse por via do doce odor a qualquer coisa que eu não sabia bem o que era e que exalavam dos corpos e das bocas, não sabia pois nós rapazes, com quem mais andava nas cavaladas, a única coisa a que cheirávamos era a suor, a chulé e a merda, as moças dizia, não se manifestarem a esse respeito, não dizerem nada ou limitarem-se a uma espécie de assim-assim pois 'tá bem, julgo que em muito, imenso, contribuía para esse meu auto-juízo estético.


O meu corpo também não contribuía em nada para melhorar o meu aspecto. Ligeiramente lepsossomático, e de baixa estatura, a minha musculatura era rude e algo angulosa. Subir às árvores torna-nos parecidos com elas. Ficamos com os membros e músculos retorcidos e nodosos como elas.


Tinha apenas uma coisa a meu favor. Tinha o que se chamava ombros de alfaiate. Esta disse uma das minhas tias-avós, a tia Elvira, irmã da minha avó Angelina. Ombros altos, era o significado da expressão. Sim, tinha os ombros altos, o que era uma vantagem com a roupa, que de um modo geral me assentava sempre bem. O senão dos ombros, notava-se na praia, era serem um tanto ossudos. O que se disfarçava pondo a toalha de praia por cima deles...


É claro que este juízo que eu fazia de mim mesmo se referia apenas ao meu exterior. À res extensa visível.

O meu interior estava-me interdito e não passava das goelas para baixo. E para isto, para ter um leve vislumbre do meu interior, tinha que abrir a bocarra em frente ao espelho, imaginando o que existiria por ali abaixo.

Haviam as radiografias, óbvio. Mas pouco mostravam. Umas manchas brancas a revelar os ossos do esqueleto e era tudo.


Sempre podia comparar-me, e imaginar-me, com um frango, quando via a minha mãe ou avó a arranjarem algum para o almoço. Aquela ensanguentada tripalhada toda sempre me dava uma ideia aproximada de como eu era por dentro. Não devia ser muito diferente. Claro que não teria moela... Mas o aspecto dos ogãos não deveria andar muito longe se me abrissem de alto a baixo e me estripassem.


Tudo isto até há dias ter ido fazer uma ecografia abdominal e os meus piores receios confirmaram-se. Se eu achava que sou feio por fora, que dizer do interior... Blharg!


Horrendo! Simplesmente horroroso! Veio-me à ideia o "Alien, o Oitavo Passageiro"! Se há um Deus, onde é que ele anda!?


Confirmem por vós próprios na imagem que aqui vos deixo:



quinta-feira, setembro 10, 2009

sentimento


Estou cansado da vida.

quarta-feira, setembro 09, 2009

filosofando à marretada...


Lavar a alface pode ser considerado uma ablução alfacinha? De carácter místico-religioso-filosófico?


E se, para além disso, a alface vier embrulhada numa folha dum jornal matutino e formos lendo esta folha ao mesmo tempo que lavamos a alface, isto pode ser visto como uma assumpção plena do mais puro hegelianismo?




fotografia © josé antónio • comunicação visual


quarta-feira, setembro 02, 2009

as coisas que me passam pela cabeça... I


Quando vou à sanita fazer uma mija ponho os óculos de aumentar. Vejo a pila maior e isso sobe-me a auto-estima!

nota: Estes pensamentos são mesmo meus. Aparecem de súbito no meu espírito, por uma qualquer razão insondável que não pretendo explicar. Não são citações de ninguém.

quarta-feira, abril 01, 2009

Dia das Mentiras

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A moral é um erro útil, mais explícito do que muitos outros, por ter parecido aos maiores e mais livres promotores dela que uma mentira assim era mesmo necessária

Nietzsche, Friedrich, "A Vontade de Poder"
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domingo, junho 03, 2007

PAREM !

. imagem: © josé antónio 2007 CLIQUE PARA AMPLIAR .

sábado, abril 21, 2007

o peripatético de Pallet

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Hoje é dia de efeméride. Lembremos alguém que morreu, faz hoje 865 anos, e que fez um GRANDE sacrifício em nome do Amor... vá-se lá perceber porquê.
Enfim, coitado do ABELARDO (1079- 1142).
Mas também quem é que o mandou apaixonar-se loucamente por Eloísa, a jovem (e pelos vistos jeitosa) sobrinha do raivoso e vingativo Fulberto, cónego de Nossa Senhora de Paris !?
Oiçamos o goliardo:

Ou est la tres sage Helloïs
Pour qui fut chastré et puis moyne
Pierre Esbaillart a Saint Denys?
Pour son amour ot ceste essoyne.
Mais ou sont les neiges d'antan?


[Onde está a sensata Heloísa / Por quem foi castrado e depois monge / Pedro Abelardo em S. Dionísio? / Por amor dela teve esta desgraça. / Mas onde estão as neves d'antanho?]


É dura, a vida de filósofo, pois... :)


imagem: Google.
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terça-feira, março 06, 2007

a fábula do homem que tudo sabia

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Perguntassem o que lhe perguntassem, ele tinha sempre resposta para tudo.

Afinal, ele era o homem que sabia tudo e que tudo sabia.

Até que um dia um menino pobre lhe perguntou como se chamava e ele... após uma prolongada pausa... ficou boquiaberto sem saber o que dizer.

Girou sobre os calcanhares e afastou-se penosamente a transpirar sob o peso da comoção.

Nunca mais o viram.


imagem: © 2007 josé antónio - CLIQUE PARA AMPLIAR
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quinta-feira, janeiro 25, 2007

fossilizar o presente


desenho: ©2007 josé antónio CLIQUE PARA AMPLIAR

segunda-feira, janeiro 08, 2007

a falácia de Frankenstein...

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a falácia de Frankenstein...


imagem: © josé antónio 2007 - CLIQUE PARA AMPLIAR
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terça-feira, dezembro 05, 2006

a foto da minha vida

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Todos aqueles que fotografamos queremos fazer A FOTO...

Tiramos dezenas de milhar de fotografias ao longo da nossa vida. Sempre em busca daquela foto...
Que nunca alcançamos porque somos demasiado exigentes e isto coloca-a num patamar inalcançável.

Até que olhamos para o nosso grosso e pesado acervo fotográfico e percebemos que nunca faremos a tal fotografia, pelo simples motivo de que... já a fizemos!

Essa que é a fotografia da nossa vida. A FOTO!
Aquela que sintetiza todo o nosso ser, a nossa essência.
Mesmo que tecnicamente nem seja das melhores, isso é um pormenor de somenos. O que conta é que ela expressa tudo o que somos e tudo o que temos dentro de nós, todas as nossas emoções e sentimentos, todas as nossas visões, toda a nossa paixão pelo mundo.

À foto da minha vida, tirada num dia invernoso de chuva, na Praia da Torre, no dia 11 de Dezembro de 1984, dei, há muito tempo, o título

fernão capelo gaivota

CLIQUE PARA AMPLIAR

fotografia: © josé antónio 2006


segunda-feira, novembro 13, 2006

efeméride

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Sto. Agostinho

O caminho do pecado é o caminho para a SANTIDADE...

13 de Novembro de 354. Ver AQUI

imagem de autor desconhecido 'picada' na net., aqui: http://www.ortodoxiabrasil.com/icones/santos/a/santoagustinhodehipona2.html

terça-feira, junho 06, 2006

hoje apeteceu-me

Ontem queixava-se uma amiga minha, num mail que me enviou, que eu já não publicava nada aqui desde o dia 25, e perguntava-me se era preguiça ou falta de tempo.

Bom, a verdade é que tem sido uma mistura das duas.
Mas isto deixou-me a pensar. Quantos amigos e visitantes não terão neste período visitado o Caracol Carolas, apenas para constatarem que o fizeram em vão.

Assim, a pedido da Cinda e de várias famílias, aqui fica um boneco, cujo esquisso original à mão data de 29Abr2006 e que estava há vários dias em execução digital (como aliás tantos outros):



Clique na imagem para ampliar.

desenho: © josé antónio 2006

domingo, março 12, 2006

o sinistro sorriso da morte


Perguntei: Porque sorris, ó macaco morto caído na terra fria e molhada?

Respondeu-me, sorrindo: Sou um cínico.

Afirmei-lhe: Afinal és apenas um peluche descartado e deitado fora ao abandono! Lixo!

Retorquiu-me: ... Milhões de crianças que nunca saberão o que é ter um brinquedo...

Foda-se! Apeteceu-me trocar de lugar com ele!


foto: © josé antónio, 2006.

quinta-feira, março 09, 2006

ilusão de cronos...




© josé antónio, 2006