quinta-feira, outubro 13, 2005

joana, uma tese possível


Claro que não acredito que o MP esteja a tratar este caso com leviandade e displicência, e se o mesmo pede a pena máxima para este caso é porque detém fortíssimos indícios, que desconhecemos, da prática dos crimes de que acusa os réus. Assim julgo eu.
Contudo, não acredito em absolutos e sou um relativista. Acredito que a verdade muitas vezes nos escapa por entre os dedos, oculta por uma cortina de aparências as quais têm um aspecto de verdade insofismável tão grande e tão densa que não nos permitem imaginar outra possibilidade para além daquela que nos aparece como a óbvia.
Mas ela pode existir. As nossas emoções podem tolher-nos a racionalidade, a nossa lógica pode conter falhas, a precipitação pode levar-nos a cometer erros, o hábito, terrível inimigo da razão, pode insinuar-se perfidamente, etc.
Para lá do plano que consideramos o 'real', 'verdadeiro', 'evidente' e 'factual' acredito que existe um outro plano. Um plano que de momento não conseguimos alcançar. Um plano que é o 'aquilo que realmente pode ter acontecido'.

Chamar-lhe-ia, a esse plano, a essa zona, o Limbo da Especulação, isto é, aquilo que está para lá da cortina, e que por vezes é revelado a posteriori, frequentemente muitos anos passados, e que nos surpreende levando-nos a perceber que afinal estavamos iludidos e enganados. Mostrando-nos respostas outras, perfeitamente coerentes que substituem as que tinhamos aventado e que considerávamos as únicas possíveis e inabaláveis. É assim que, indipendentemente da, também minha, forte convicção da prática dos referidos crimes, entrando naquela área indefinida e volúvel da especulação, me proponho fazer um pequeno exercício.
Este é apenas isso mesmo. Um exercício especulativo, elaborado com base apenas nas poucas informações que os media nos vão fornecendo. Outra coisa não é possível. Mas considero que de acordo com a pouca informação de que disponho, este exercício não ultrapassa as barreiras do bom-senso. Com este exercício pretendo abrir uma porta de possibilidades, que desconheço onde pode conduzir. O futuro o dirá.


A 'ESTÓRIA':
Leonor e João decidiram matar a garota, Joana. A razão, para o caso, é irrelevante por agora. Importante é que sabiam que não o podiam fazer em casa nem com ela consciente. Era necessário adormecê-la primeiro e levá-la para um sítio ermo onde a pudessem eliminar.
Assim, puseram-na inconsciente, talvez com éter, soporiferos, ou outra coisa qualquer. Meteram-na num carro e transportaram-na para Espanha. Meteram-se por caminhos escuros e ermos até chegarem a um local afastado onde encontraram uma lixeira, onde não se percebia vivalma. Trânsito na estrada também não se via nenhum. O local parecia ser excelente para os seus tenebrosos propósitos.
Tiraram a criança, ainda inconsciente, do carro e levaram-na para a lixeira. Aí, estrangularam-na com uma corda, um lenço, um cinto, ou algo assim. Contudo a garota tem a garganta pequena, o dispositivo não apertou o suficiente e ela não morreu. Também a podem ter esfaqueado, mas o nervoso estragou a precisão dos golpes e as facadas não foram mortais. Outros métodos poderão ter sido usados, qualquer um de forma desajeitada, e a criança não morreu.
Mas continuava inconsciente e parecia estar morta pois não dava acordo de si. Eles estavam convencidíssimos que tinham morto a garota e rapidamente taparam o pretenso cadáver com um monte de lixo para o ocultar e a correr voltaram para o carro e regressaram à aldeia, a casa, onde passaram o resto da noite a fornicar, para aplacar a sensação de culpa e o remorso, procurando realizá-lo nos braços um do outro.

Passadas muitas horas, já noite cerrada, a criança recupera a consciência, ferida, dorida, assustada, com frio, no meio da mais absoluta escuridão e do cheiro nauseabundo do lixo que a cobre. Está completamente desorientada, como é natural naquelas circunstâncias. Não sabe o que há-de fazer.
Grita por socorro e de dor, mas não há ninguém para a acudir. Mantém-se imóvel durante muito tempo e chora. Até que lentamente se vai apercebendo que há objectos sujos e mal-cheirosos que a cobrem e fazem pressão sobre ela.
O instinto animal fá-la reagir. Empurra o lixo e contorce-se, até sentir o ar mais respirável. Consegue afastar o lixo e sair para descobrir que está sozinha, num local que lhe é completamente desconhecido.
Não existem luzes, não existem sons, excepto uma coruja furtiva que pia ao longe, que a ajudem a orientar-se. Começa a caminhar como qualquer criança perdida e amedrontada: sem direcção, ao sabor do acaso. E é fruto do acaso, ou do azar, que os seus passos acabam por a conduzir até uma estrada. Talvez a estrada por onde veio.
Ali chegada descobre algo que conhece e sabe: uma estrada tem dois sentidos, duas direcções, e qualquer delas leva a algum lado. Talvez a leve à ajuda que deseja ansiosamente. Assim começa a caminhar, com dificuldade que as dores ainda são muitas, ao longo da berma. A estrada não tem movimento excepto o dela própria e passam horas até que um carro aparece. Talvez seja a salvação almejada.

O condutor apercebe-se da presença dela e o carro pára ao lado dela e ela imobiliza-se também, encolhendo-se um pouco e estremecendo.
O homem, enorme, corpulento, mal vestido, a tresandar a suor e álcool, sai do carro e aproxima-se dela:
— Hei niña, que haces aqui?
Ela não percebe, aquilo soa-lhe estranho. Lembra-lhe vagamente o falar de alguns ciganos que em dia de feira passam lá pela aldeia dela. Mas estes andam com carroças, mulas e burros. Não andam de carro, têm barba e vestem de negro.
Percebe que o homem lhe está a fazer uma pergunta, mas não percebe qual. Tenta responder na única língua que conhece. Diz a coisa mais óbvia. Diz o seu próprio nome. Tenta explicar o que lhe aconteceu, mas não o sabe fazer porque na verdade não sabe o que lhe aconteceu. A última coisa de que se lembra foi ter acordado debaixo dum monte de lixo. Balbucia, gesticula, engasga-se, atrapalha-se, geme de dor, tem o rosto sujo e as lágrimas cavaram sulcos na sujidade obscena que lhe cobre o rosto.
O homem percebe que ela está perdida, que está magoada e que é uma criança portuguesa.

A atitude correcta seria conduzi-la às autoridades. Mas a criança está com azar. Aquele homem não é boa rês. O demo anda à solta pelos caminhos perdidos da escuridão. E qualquer vítima que lhe apareça pela frente é uma dádiva.
Aquele homem feio e mal encarado anda metido em negócios escuros, vive de expedientes, do roubo, da falcatrua, do tráfico, tem ligações ao bas-fond, especialmente o da prostituição infantil e da pedofilia. Todo o dinheiro é bem vindo, venha de onde vier. É caso para dizer "um azar nunca vem só".
O homem, afinal um especialista em falinhas mansas, consegue aliciá-la com um sorriso onde se vê brilhar um dente de ouro, e convence-a por gestos a entrar no carro e leva-a para casa dele, a alguns quilómetros dali. Chegam passado pouco tempo.
Uma casa térrea na beira da estrada, guardada por um negro doberman, acorrentado à parede, que ladra e arreganha os dentes como um louco quando saem do carro e se aproximam da porta para entrarem. O cão reconhece o dono e cala-se, permitindo-lhes a entrada.

Para ganhar a confiança total da garota, o homem trata-lhe as feridas o melhor que sabe. Não é raro, por via das suas escaramuças, ter que tratar a si próprio arranhões, esfoladelas, facadas e, uma vez, até um tiro de raspão. Deita-a numa enxerga improvisada à pressa, confortável e bem agasalhada e, para a ajudar a adormecer, até se dá ao trabalho de lhe arranjar um ursinho de peluche que ela aceita deliciada e sorridente.
O boneco é dum lote para fornecer o chico cigano que vende nas feiras, mas ele pensa no boneco como um investimento que reverterá em lucro, rapidamente, e portanto o cigano pode bem passar sem aquele boneco. E se o chico se armar em parvo e reclamar, para alguma coisa serve aquela navalha que ele trás sempre consigo no bolso.
Ela, sentindo o doce calor do cobertor, adormece abraçada ao peluche. Dorme, como talvez nunca tenha acontecido em toda a sua ainda curta vida.
De manhã, o inevitável super-pequeno-almoço. O homem sabe que tem que a alimentar bem, para proteger o investimento. Por isso, ainda antes dela acordar, tinha ido ao pequeno supermercado fazer compras, ante o olhar estupefacto de algumas vizinhas, que nunca o tinham visto comprar aquele tipo de géneros. Vinho, cerveja, aguardente, sim... agora, leite, bolachas, chocolate, coisas de criança? Mas aquele homem é estranho, ninguém gosta dele, ninguém se mete com ele, e todos se abstêm de fazer comentários. É mais seguro para a saúde.
Enquanto ela se delicia com o leite com flocos, o pão com manteiga e as bolachas de chocolate, o homem faz um telefonema:
— Tengo una cosa para ti. Cuanto valle?
Do outro lado, o franciú:
— Báton oú fente?
Combinado o preço, combinada a hora, resta esperar.
A criança, ainda agarrada ao ursinho de peluche, que já perdeu um olho de vidro, diverte-se a espreitar pela janela os carros que passam na estrada a poucos metros e o tenebroso doberman negro de ar tão ameaçador que ladra por tudo e por nada. Não passam muitas horas.

O carro cinzento metalizado, reluzente com os reflexos da manhã, um topo de gama, chega à hora marcada. Já não há fronteiras. O homem que sai do carro, usa fato e gravata, parece um doutor, tem rabo de cavalo, e tem os dentes muito brancos e brilhantes. No rosto traz um imenso sorriso estampado, como se fora dono do mundo. Aproxima-se do outro, que o espera com a garota ao lado, quase não falam, e entrega-lhe um envelope que tira do bolso de fora do casaco. Olha para a garota e acaricia-lhe a cabeça. Fala para ela, também ele numa língua esquisita, que lembra flores multicolores agitadas pela brisa e ainda mais incompreensível que a do que a recolheu.
Ambos os homens, cada um naquelas línguas que ela não percebe, tentam convencê-la a entrar para o carro. Ela está muito confundida, quer é regressar para os braços de alguém conhecido que a acarinhe, ou pelo menos que fale numa língua que ela perceba e que a perceba a ela. Mas o homem, apesar de feio e um pouco fedorento, foi bom para ela e o outro homem tem bom aspecto, sorri muito, é simpático, deu-lhe um caramelo, e parece quererem os dois dizer-lhe que o de rabo-de-cavalo a vai levar até alguém que a vai tratar muito bem.
É o que ela compreende dos gestos que eles fazem. Gestos como o de comer, de embalar, de agasalhar, de dançar, de beijos, de mão no coração, etc., tudo acompanhado de muitos risos e sorrisos bonitos. Gestos alegres. Gestos felizes. Decide-se e entra no carro.

Nunca andara num carro tão bonito e confortável. Estofos fôfinhos, ar condicionado, música, este senhor que fala uma língua estranha deve mesmo ser boa pessoa. O conforto é tanto que cai de novo no sono.
O seu destino é França. Os subúrbios de Paris. Aí, o seu destino é a pedofilia e a prostituição infantil.
E assim vai ser durante muito tempo. Com o passar dos anos, torna-se uma 'profissional' da prostituição de luxo. Das ruas, discotecas, bares, aos clubes privados, tudo conhece, por tudo passa. Não há segredos para ela. Também nunca conheceu outra vida, ou não se lembra de a ter conhecido e vivido. Na realidade, o seu espírito fez com que ela esquecesse aqueles seus longínquos e dolorosos oito primeiros anos de vida.
Um dia, já passados 10 anos, com o homem com quem vive, e que é chulo, vigarista e toxicodependente, num Verão de muito calor, decidem fazer uma pausa e passar uns tempos de férias, e para tal escolhem Portugal. Destino natural, Algarve.

As redes informatizadas e os bancos de dados das várias polícias europeias, da Europol e da Interpol estão muito desenvolvidas e funcionam excepcionalmente bem. Inclusivé em Portugal, ao contrário do que seria previsível, mas a UE investiu muito nesse domínio para combater a criminalidade.
Portugal recebeu assim ajuda 'imposta' e sem qualquer possibilidade de 'desviar' as verbas e os equipamentos, pelo que as coisas funcionam mesmo.
O avião aterra em Faro.
Os dois amantes saem de braço dado do avião, vão levantar as bagagens e dirigem-se para a saída do aeroporto para apanharem um táxi que os conduza ao hotel frente à praia.

Dois homens, de fato cinzento, aproximam-se deles e identificam-se:
— Bonjour. Police. Venez avec nous, s'il vous plait.
— Polícia Judiciária. Façam favor de nos acompanhar.


José António, Oeiras, 13 Outubro 2005


n.b.: Como disse, esta 'tese' é apenas um exercício especulativo. Uma 'teoria' para desembrulhar a horrível confusão de dizeres e desdizeres em que o caso parece estar mergulhado. 'Tese' talvez nascida da esperança funda e profunda de que o sórdido crime de que os réus estão acusados nunca tenha acontecido e de que a Joana, afinal, esteja viva algures. Julgo que essa é a esperança da maioria de nós todos.

segunda-feira, outubro 10, 2005

resultados eleitorais

ei-la que chega


O dia foi morno e insípido, sensaborão. Nem a excitação e azáfama pouco habituais das espermicidas eleições lhe conseguiu remover essa insalubridade quase obscena. Depois de umas nuvens cinzentas, pouco acinzentadas porque somos pobres, e uns chuviscozinhos que nem deram para abrir o guarda-chuva à maioria silenciada, tudo parecia que chuva MESMO, só para segunda-feira, de acordo com as previsões dos meteorologistas. vulgo manda-chuvas de antanho. Mas a minha esperança não esmoreceu. Era já noite quando o barulho me conduziu à varanda sul de onde apreciei este maravilhoso espectáculo, que me apressei em retratar. Apesar da temperatura tépida, a chuva caía copiosamente na rua. Há momentos em que sou levado a acreditar que existe mesmo um DEUS!

"Nisi Credideritis non intelligetis" Agostinho

foto: © josé antónio 2005

sábado, outubro 08, 2005

quarta-feira, outubro 05, 2005

van cleef ou jack daniel's?


E lá se acabaram os perfumes que me ofereceram no Natal passado. Eles também não duram sempre, não é?
Como ainda faltam mais de 2 meses para o Natal deste ano, além da vida estar very hard e nunca se saber se vai haver euros para prendas..., lá tive que abrir os cordões à bolsa. Uma vez de vez em quando também não mata ninguém, e alturas há em que temos que meter a forretice no bolso.
Assim, lá me dirigi ontem a uma perfumaria das Galerias Alto da Barra. Não escolhi muito. Eu sabia o que queria. É sempre assim quando faço compras: entro, digo o que quero, pergunto o preço, se tenho o suficiente compro, se não tenho, agradeço e saio.
Pedi o meu perfume preferido (preferido há uns bons 15 anos), Van Cleef & Arpels. O único que vai com o meu temperamento e a cor da minha roupa interior, as peúgas em especial. Se me vissem SÓ de peúgas e a exalar aquele aroma por todo o quarto iriam compreender o que digo e até onde vai a profundidade da essência da existência e do Ser.
Paguei, saí e fui para casa perfumar-me. Nada de anormal até aqui. Quantos milhões de seres humanos não o fazem todos os dias? Compram perfumes e vão para casa perfumarem-se. É algo que é típico do terceiro-mundo.
É como comprar um pack de cerveja ou uma garrafa de aguardente e ir para casa bebê-la. Dá um imenso e gratificante prazer.
A minha agitação começou quando tirei do bolso o ticket da caixa com o pagamento e vi BEM quanto tinha pago. Os meus três neurónios começaram rapidamente a fazer contas de cabeça e...

Paguei 56.00 euros por um frasco de perfume de 100 ml. Ora isto significa que o valor por litro é de 560 euros!
Por curiosidade, resolvi comparar o valor com o meu bourbon, também ele preferido há muitos anos. O Jack Daniel's. Assim, fui ver no Continente Online o preço da garrafa, a qual tem 0,7 lt. Custa 17,40 euros. O valor indicado para o litro é de 24,99 euros.
Comparemos de novo:
Van Cleef & Arpels - 560 euros/lt.
Jack Daniel's - 24,99 euros/lt.
Ou seja, com 1 litro de perfume compro 22 litros de bourbon (VINTE E DOIS!!!); com 1 frasco de perfume compro 3 garrafas de bourbon.

As gajas que me perdoem, mas acho que vou passar a perfumar-me com Jack Daniel's!

foto: digitalização de objecto, recorte e manipulação de cor, © josé antónio 2005

segunda-feira, outubro 03, 2005

Ai, meu Deus! Ai, Jesus!


Como caracol que me prezo de ser, quando me levanto de manhã tenho o hábito de pôr os corninhos ao Sol.
Hoje não foi excepção e cerca das 9h. fui até à varanda espreguiçar a córnea.
Ai, meu Deus! — pensei, quando olhei para o céu — Ai, Jesus, que a cabrãozada do governo, não satisfeita com tudo o que nos tem tirado, está também a roubar-nos o Sol!
Voltei atordoado para dentro, a cambalear com o choque, e liguei o rádio por puro e instintivo gesto. O locutor, animadamente, locutava que estava a acontecer um eclipse anular do Sol em Portugal e que o auge... patati patatá...
Uma onda de alívio invadiu-me. A dentada no Sol era afinal um momento desse curioso fenómeno celeste e não o resultado duma sacanagem fiscal do governo feita à socapa para começo de semana, e em plena campanha eleitoral. Afinal, a lata dos gajos ainda não chegara a tanto. O poder tem limites, é o que nos vale.

nota: lá bem no meu íntimo senti a esperança de que com o eclipse solar o Sócrates se eclipsasse também mas, é caso para dizer, FOI SOL DE POUCA DURA!

foto: © josé antónio 2005

sexta-feira, setembro 30, 2005

quinta-feira, setembro 29, 2005

segunda-feira, setembro 26, 2005

já estão online - o prometido é devido



Já estão online algumas das fotografias que tirei nos 4 dias que passei na Cova da Beira.
Baseámos em Chãos, um lugarejo próximo de Donas, pequena povoação a poucos quilómetros do Fundão. As nossas voltas levaram-nos até Alpedrinha e Castelo Novo.
Apenas lamento ter sido tão pouco tempo porque ficou-me a ideia de que tanto havia para ver e conhecer!

Podem visitar a página aqui: http://homepage.mac.com/zetolas/PhotoAlbum20.html ; ou clicando no título deste post.

domingo, setembro 25, 2005

só me f... lixam!



se há coisa que me LIXA é a quantidade de LIXO com que a minha caixa de correio tem sido assediada ultimamente...

quarta-feira, setembro 21, 2005

justitia



Engraçado.

Hoje de manhã, não sei porquê, veio-me à memória este cartoon que fiz em 10 JAN 2003...

sábado, setembro 17, 2005

crostinha duma feridinha numa orelhinha


pedaços de um corpo.
sangue coagulado.
tamanho: 2,1x3 mm.
digitalização a 2400 dpi.

segunda-feira, setembro 12, 2005

olharapo



O 'olharapo de Oeiras' acaba de ver a luz do dia!
Aqui:

http://olharapoeiras.blogspot.com/

ou no link ao lado com o mesmo nome.

quinta-feira, setembro 01, 2005

sem remorso



Aquele homem era um duro. Um tronco marmóreo, triângulo de aço, aresta viva, com coração de pedra (-pomes....)
Nunca se arrependia de nada. Fazia questão de ser coerente consigo mesmo e com a sua lógica de bom senso.
Acreditava que todas as decisões que tomara no passado, mesmo que se tivessem revelado erróneas a posteriori, tinham sido as melhores, as certas. Na altura em que as tomara acreditara estar a tomar as correctas decisões. Por isso, nunca se arrependia nem sentia remorso.
Um belo dia de outono dourado, daqueles em que o gelo frio entra pelas frinchas das portas e janelas e os gatos vomitam no sofá e se escondem nos roupeiros, suicidou-se e... não sentiu remorso algum de o ter feito!


"Non!
Rien de rien...
Non !
Je ne regrette rien..."

quarta-feira, agosto 31, 2005

sou mesmo burro...


A minha ignorância da História Pátria é imensa e aqui que ninguém me ouve, vergonhosa. Mas mesmo assim ainda conservo na minha pobre alembradura, mantida não sei como por três estóícos neurónios, o A (preto), o B (cinzento e o C (branco), mantenho na minha memória, dizia, algumas noções vagas sobre acontecimentos marcantes da edificação de Portugal.
Uma dessa noções, acreditava eu que estava perto da verdade histórica, era que os mouros tinham sido corridos do território hoje pátria nossa algures na Reconquista, ali para as bandas da Idade Média, nos longínquos séculos XII, XIII, por aí.
Eis senão quando abro a caixa do correio e deparo com um daqueles folhetos de excursões que nos assediam constantemente com viagens baratuchas a todo o lado e arredores. Curiosamente este folheto incluia um passeio a Castelo Novo, bela localidade beirã onde há poucos dias espraiei a vista pelos ancestrais edifícios e regalei o espírito na imaginação de vidas passadas, sofridas no calcorrear da Gardunha.
Fiquei curioso. Abri o folheto e li o texto sobre a localidade. Senti-me atingido por um raio! Não só sei pouco sobre História, assumo, como as minhas noções básicas, que eu achava serem 'mais ou menos', ruiram levadas por uma enxurrada que arrastou os meus pobres neurónios A, B e C, pela encosta abaixo direitinhos ao mar, onde mergulharam no fundo do oceano sem fundo.
Afinal, segundo o citado folheto, os mouros apenas foram escorraçados de Castelo Novo no SÉC. XVIII, DEZOITO !!!

Ou quem escreveu/leu/reveu/paginou/imprimiu/etc. aquele texto é muito distraído ('tá-se a cagar...) ou eu tenho urgentemente que me matricular no liceu nas aulas de História...

post scriptum: a minha amiga Pi é revisora e copy-desk e bem que lhe fazia jeito uns trabalhinhos para ir fazendo em casa...

segunda-feira, agosto 29, 2005

momentum MCHL



Pois é, meus Caros!

O Verão está a acabar, aproxima-se o Outono, a estação preferida da mama Eva, pois é quando cai a folha... e, como quem não quer a coisa, está a chegar o momento a que chamo MCHL (por extenso: eme cê agá ele; em código militar: mike charlie hotel lima).
Acredito que se tenha gerado curiosidade sobre esta críptica e um pouco sinistra sigla. Não, não se trata de nenhuma organização secreta ou grupo terrorista, da moda.
São as iniciais de Mulher-Cobra/Homem-Lagarto.
Ora a que chamo eu 'período Mulher-Cobra/Homem-Lagarto'?

Simplesmente a esta fase horrenda em que o bronze, conseguido à custa de muitas horas de solário classe-pseudo-alta-burguesia-da-treta e/ou sol classe-média-baixa ou ainda bronzeador pintor-tintura-de-iodo-chico-esperto, estala e a pele começa a escamar e a cair dando às pessoas aquele horripilante aspecto de mortos-vivos a desfazerem-se em merda e que tira ao ser mais eros-carente, por muito alimária que ele seja, qualquer desejo sexual...

Qual o homem que tem prazer em acariciar um ventre ou umas nádegas que parecem uma cobra cascavel na muda de pele? qual a mulher que tem gozo em abraçar um tronco ou acariciar uma peitaça que lembra um lagarto ou crocodilo?

Nah, é melhor esperar pelo Inverno... Ai é, é!

sábado, agosto 27, 2005

el sardon pergunta:



Imagino que muita rapaziada lagarteira vai ficar escandalizada e a protestar o facto do titular guardador-de-nets de sua graça Ricardo não ter sido convocado pelo treinador-de-moços-futebolistas de sua graça José Peseiro para o jogo com o Marítimo no Funchal capital.
Esta questão está a ser amplamente noticiada pelos media e serve aqui apenas como exemplo da minha ideia.

Gostava que as pessoas tivessem pela política o mesmo grau de entrosamento que têm pelo futebol.
Que se ESCANDALIZASSEM e PROTESTASSEM com as opções dos partidos, governantes, políticos e afins (mesmo sendo 'sócios' deles...)

sexta-feira, agosto 26, 2005

o hífen 'tracinho' para o vulgo




"O 'hífen' (-) usa-se para ligar elementos de algumas palavras compostas ou derivadas, para ligar pronomes átonos a formas verbais, para ligar a preposição 'de' a algumas formas do verbo 'haver' e ainda na mudança de linha, para dividir em duas partes as palavras. (...)" (p. 363)
in: "Prontuário Ortográfico", Correio da Manhã, Lisboa, 2004.

n.b.: Passei os dedos pelo autocolante para confirmar que é mesmo impresso provável serigrafia em vinyl e que o hífen NUNCA lá existiu.

quarta-feira, agosto 24, 2005

anonimato 2

— PRIMEIRA FORMA!!

Afinal não serviu para nada e o meu 'lendas...' continua a receber os tais comentários/pub...
Voltamos à primeira forma (comentem à vontade...) até eu descobrir uma maneira de me livrar dos sacaninhas.

Abraços,

anonimato



Olá meus amigos e minhas amigas!

Há pouco comecei a ver despejarem-se no meu blog 'lendas tecnológicas' comentários anónimos, 6 ao todo, que apenas eram anúncios a sites comerciais, a sites de jogos online, a sites de empréstimo de dinheiro, e coisas quejandas (cabrões, que não têm outro nome, inventam tudo...)
É lamentável que estas coisas aconteçam, mas nós que andamos aqui pela blogosfera não estamos livres de sermos alvo destes abusos e violações. Para evitar que tal se repita, pelo menos temporariamente, tomei uma decisão que muito me custa, porque respeito o direito à privacidade de cada um, logo ao anonimato. Os comentários a todos os meus blogs SÓ poderão ser feitos por utilizadores registados, i.e., não serão permitidos comentários anónimos.
Permitam-me o desabafo: — Foda-se!

p.s.: Alguém que pretenda fazer algum comentário e que pelo acima exposto não o consiga ou possa fazer, vá ao meu perfil e escreva-me directamente pelo meu email. Prometo responder-lhe e colocar o seu comentario no lugar adequado, se mo indicar. Obrigado.

Abraços,

Depressa, cura-me a depressão...




Bom, então aqui fica mais uma foto, para curar possíveis depressões e ataques de choro convulsivo que a foto do post anterior possa ter provocado.
E também para que não se pense que em 4 dias apenas andei a fazer um mórbido périplo por terras queimadas.
Vi muita e também alguns fogos, mas felizmente no meio das cinzas sobraram alguns nichos de beleza verde, inebriante e esmagadora. Como este, uma vista das faldas da soberana Serra da Estrela, tirada da casa onde fiquei, em Chãos.

O resto, quando puder mostro.

Castelo Novo, sinistras cinzas de obscuros interesses...



Olá!

Pois... ainda estou a organizar as tais fotos que fiz nos 4 dias que passei no Fundão e arredores. Sempre são 247 e a vida não é só divertimento. O trabalho não falta por aqui e há que dar-lhe despacho.
De qualquer forma, deixo aqui uma das ditas, tirada em Castelo Novo, que para alguns poderá ser deprimente. Isto foi das coisas mais marcantes que vi à frente dos meus olhos naquela bela terra.
É um testemunho do drama que o nosso pobre e desidratado país tem vivido.

n.b.: Castelo Novo não é só isto. É uma bela localidade cheia de património histórico e cultural que merece uma visita demorada.

domingo, agosto 21, 2005

back to office

Olá, meus caros!

Acabo de chegar de uma curta estadia de 4 dias no Fundão e arredores.
Ainda estou a tentar ambientar-me com a minha própria casa, mas espero em breve poder dizer alguma coisa sobre aquelas belas vilas e aldeias — Alpedrinha, Castelo Novo, Donas, etc.

Inté!

quinta-feira, agosto 11, 2005

exaggerare



Exagera. Exagera sempre. Não temas exagerar.

A ARTE é incompativel com o MEDO.

terça-feira, agosto 09, 2005

chuva em dia de verão



Foi uma sensação particularmente agradável e doce, quando cheguei ao scriptorium domesticus e olhei pela janela e a vi.
A porta entreaberta fazia entrar uma brisa fresca que acariciou o meu corpo nú.
A fotografia mostra o olhar que lancei para a rua.
Ela lá estava, a cair não muito forte, pouco mais que um chuveirito, sensual e a saber-se desejada.

Adoro a chuva em dia de verão!

segunda-feira, agosto 08, 2005

TESTE FOTO



PORREIRO!

Acabo de descobrir que FINALMENTE o Blogger dá para os utilizadores MAC colocarem imagens nos seus blogs. Pelo menos assim me parece e por isso decidi fazer um pequeno teste. Coloco aqui uma foto, escolhida um pouco ao acaso (moi même) , para ver o que acontece. Se funcionar, imagino as potencialidades...

terça-feira, julho 26, 2005

molha molha os tolos qu'eles agradecem!

Começou agora a cair daquela a que chamam molha-tolos e outros molha-parvos a chuva que tanta falta tem feito neste país desidratado é pouca mas não desesperemos talvez seja o prenúncio anúncio do que de facto necessitamos uma valente duma carga d'água!

HAJA DEUS!

segunda-feira, julho 25, 2005

mudança de ângulo

Hoje decidi mudar a minha perspectiva angular sobre o mundo.

Até aqui a minha visão era ortogonal, limitada a ângulos de 0° (sim, existem!), 90°, 180°, 270°, 360° (o fechar do círculo), o que era perceptível em toda a minha obra plástica — desenho, fotografia, etc. Talvez menos perceptível na minha obra de ficção, mas está lá.
No máximo, dentro destes parâmetros, eu admitia visões a 45° e/ou múltiplos desta.
Agora pretendo mudar a perspectiva e dar o primado da razão 'passional-racional' à visão a 30°.
Porquê?
Ainda não o sei.
Sinto, apenas sinto que essa perspectiva angular começa a fazer sentido para mim e me explica o mundo.

Dá-lhe equilíbrio.

NÃO !!!

o bochechas outra vez... NÃO !!!

sexta-feira, julho 22, 2005

lei da guerra

Quem passou pela 'guerra' sabe que a 'lei da guerra' é "dispara primeiro e pergunta depois".
A questão do terrorismo em Londres colocou a cidade em estado de guerra.
As forças de segurança cumprem a 'lei da guerra'.
Era inevitável.

Eu faria a mesma coisa.

quinta-feira, julho 21, 2005

notifiquem-no

Então o Teixeira não apresentou as declarações de rendimentos porque NÃO foi notificado!?

Notifiquem lá o homem, PORRA!

p.s.: porque é que ele tem que ser notificado e o resto dos portugueses não?

alguma coisa vai acontecer...

Em 27 de Setembro de 1995, disse para mim mesmo que seriam 10 anos.
Em 27 de Setembro de 2005, completar-se-ão precisamente esses 10 anos.

A minha Fé diz-me que alguma coisa vai acontecer, tenho a certeza!

terça-feira, julho 19, 2005

the Eagle has landed

1969, 4:17:42 pm Est

"Houston, Tranquility Base here. The Eagle has landed." Neil Armstrong

Quando hoje revejo as imagens que os meus púberes olhos viram naquela longínqua madrugada de há 36 anos, sinto o mesmo fascínio e emoção, e o renovar da esperança e da fé.


Há mais coisas no céu que aquelas que podes imaginar.

domingo, julho 17, 2005

argumentos

os argumentos predilectos dos estúpidos e ignorantes:

"É assim porque é assim, porque sempre foi assim, ora!"

"Isso não se discute."

"Contra factos, não há argumentos."

sábado, julho 16, 2005

spiritu

como diria um amigo meu de Viseu:

FUADASSE !

segunda-feira, julho 04, 2005

liquefacção

É triste. É deveras triste.
Um dia de manhã acordamos e sentimos que o nosso corpo se está a liquefazer. A matéria corpórea firme e dura transforma-se num líquido verdengoso e pútrido que escorre para o chão e se espalha inexoravelmente entranhando-se nos interstícios do tempo que já passou. Queremos pará-lo. Queremos impedi-lo. Queremos que o líquido se volte a fazer carne e regresse ao seu sítio donde nunca devia ter saído assim o acreditamos. Mas não conseguimos. Não existe força não existe poder capaz de parar o imparável.

Sermos 'demiourgós' de nós mesmos é mais difícil improvável que deuses dos outros vermes que se arrastam pelo terrarium granuloso.

segunda-feira, junho 20, 2005

bardamerda prós cigarros

Um destes dias irrito-me a sério e deixo mesmo de fumar.
Não, não é por razões de saúde. É que estou farto desta cabrãozada de merda que vive à custa de enganar os outros.

Eu explico:
Fumo Português Suave azul com filtro. Apenas por razões económicas. Porque é o mais barato. Mas a porra destes cigarros são a maior merda que anda aí.
Para começar, fazem uma fumarada do caraças. Cigarro que se preze, depois de aceso e pousado no cinzeiro, fica a deitar uma suave coluna de fumo. É o normal.
Mas estes abusam. Parecem um incêndio num pinhal ou a chaminé do complexo de Sines. E isso é deveras desagradável. Depois, como se não bastasse, sabem mal como a merda.
Não acredito em teorias da conspiração, mas a verdade é que suspeito que os gajos da tabaqueira andam à noite por aí a recolher móveis velhos que as pessoas deitam para o lixo. Móveis que eles levam para a fábrica, desmontam e trituram aquela madeira toda e misturam-na com o tabaco para confeccionarem a marca. Porquê esta suspeita? Porque os cigarros cheiram e sabem a madeira envernizada queimada...

Ora pagar o balúrdio que custa o maço, 2.40 €, para fumar madeira e verniz, PUTA QUE OS PARIU !

domingo, junho 19, 2005

viagem

Conforme o tempo vai passando, sinto aproximar-se o dia da minha pobre e atormentada alma e do meu estafado e martirizado corpo partirem em viagem.
Uma viagem que, sei-o, devo fazer, mas cujo termo desconheço.
Partir, sim... mas para onde e com que fito?

quinta-feira, junho 16, 2005

lembrete.

ADIAFA !

Amanhã, às 22 h., no PICADEIRO, Jardim Municipal de Oeiras, os ADIAFA !

segunda-feira, junho 13, 2005

ATÉ AMANHÃ, CAMARADA!

— Até Amanhã, Camarada !

quarta-feira, junho 01, 2005

NÃO!

NAO, NÃO e NÃO !!!

p.s. (post scriptum para o PS & Cia): com vaselina godofredo, NÃO é preciso meter o dedo!

sábado, maio 28, 2005

'Tá tudo doido!

Reforma aos 65 anos. Porreiro!
Até parece que já estou a ver daqui:

— A idosa e alquebrada professora, com a sua bengalinha de castão doirado, oferta dos netos pelo Natal, entra na sala de aula e, no meio da algazarra da miudagem que não dá por ela entrar, dirige-se à secretária, onde um orgulhoso computador windows (que só funciona às vezes...) a aguarda, para escrever o sumário. Como não percebe nada de computadores, nunca percebeu e ninguém a ensinou, acaba por deixar a tarefa para depois, se entretanto o Alzheimer não a fizer esquecer. Senta-se na cadeira e dirige-se aos miúdos, que ainda não deram pela presença da idosa senhora, concentrados que estão a jogar e a ouvir música nos seus telemóveis última geração. Ela pigarreia e diz: "abram o livro na página 37, abram o caderno, e vão copiando o texto do livro a partir do capítulo 23 até a campainha tocar para a saída". Alguns miúdos, relutantemente obedecem. Outros continuam na galhofa que "a velha é surda..." A professora pressiona um pequeno botão por baixo do tampo da secretária. A empregada surge rapidamente "sôtora..." A velhota dirige-se a ela: "Gisela, se faz favor, traga-me um chá de camomila não muito quente sem açúcar e uma torrada. Ah, e traga também um copo de água para eu tomar os comprimidos da tensão". A empregada assim faz e deposita o tabuleiro sobre a secretária, voltando costas "com licença" e saindo. A professora come a torrada com pequenas dentadinhas cuidadosas para não lhe saltar a prótese dentária, enchendo o teclado de migalhas amanteigadas, e bebe em ligeiros golinhos o chá, salpicando também o rato que o Parkinson também é danado. Recosta-se um pouco para trás, que os bicos de papagaio estão a dar-lhe cabo das costas e, coisa de velhos, adormece suavemente. Acorda com o toque da campainha para a saída.


MAS ESTA GENTE ESTÁ TODA DOIDA, OU QUÊ !?

quinta-feira, maio 26, 2005

visita de médico...

Olá !
Isto hoje é uma visita muito rápida ao meu blog, que o aperto do trabalho é grande, apenas para divulgar um outro blog de cuja existência tomei há dias conhecimento, e que me parece merecer destaque e uma visita (menos rápida que a minha :) ).
Chama-se Oeiras Local, debate temas relacionados com o Concelho de Oeiras e, pelo que me pareceu, fá-lo com um espírito bastante democrático.
Podem encontrá-lo aqui: http://oeiraslocal.blogspot.com/

Até já!

quarta-feira, maio 18, 2005

uefa

Há mais marés que marinheiros.

VIVA O SPORTING !!!

segunda-feira, abril 25, 2005

DECLARAÇÃO

Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, comandado pelo Capitão de Cavalaria Salgueiro Maia, jovem de 30 anos de idade, desencadeou uma operação militar cujo objectivo foi o derrube do governo fascista, objectivo esse concretizado rapidamente e, podemos dizê-lo, 'facilmente', tal a instabilidade e falta de apoio do mesmo, nomeadamente no seio das Forças Armadas.

Sempre que se refere esse acontecimento histórico, ele é mencionado pela expressão "O Vinte Cinco de Abril".
Ora "25 de Abril" é meramente um dia de calendário que acontece todos os anos. E não só em Portugal...

Ao fim destes 31 anos, sinto esta expressão desgastada e, sobretudo para as gerações mais jovens, sem significado.
A expressão adquiriu um tom nostálgico e revivalista, que é anti-pedagógico e não lhe dá o devido valor e enquadramento histórico.
Por estes factos, para marcar com maior ênfase aquele acontecimento, e dar-lhe a individualização e o rigor histórico que ele tem e merece ter, declaro que passo a utilizar, sempre que a ele me referir, uma expressão que já utilizei em prosas passadas.

Concretamente, referir-me-ei aos acontecimentos ocorridos na madrugada de 25 de Abril de 1974 por: A ACÇÃO CAPITÃ DE 1974.

josé antónio, Oeiras, 25 de Abril de 2005.

terça-feira, abril 19, 2005

finito

Talvez me engane mas... acho que é o THE END deste filme com 2000 anos!

Senão o the end, pelo menos o princípio dele.
Este Ratzinger pode aparecer agora com cara de anjo. Suspeito que se tratou de fachada para conquistar o poder. Aliás, não me canso de dizer: eles andam aí...
Avizinham-se tempos difíceis para a Igreja, que bem poderão significar o fim dela.

Um Papa conservador e reaccionário é igual a um Papa fundamentalista.
Isto não vai contribuir em nada para aproximar as pessoas, não só os fiéis ou crentes, mas as pessoas todas, da Igreja. Bem pelo contrário.
Isto lembra-me a atitude dum certo partido político português...

p.s. para o novo Papa: HEIL FUHRER...

domingo, abril 17, 2005

há dias assim...

Estou com um tremendo apetite para escrever alguma coisa. Apenas não sei o quê. Abri o Blogger e fiquei a olhar para a janela de post sem saber o que fazer.
Acontece-me o mesmo ao olhar para a porta de vidro que tenho aqui ao meu lado direito. Vejo a rua, o dia está cinzento, as nuvens criam um tecto esbranquiçado e brilhante que fere os olhos, os carros estão estacionados no parque privativo da torre ao lado, amontoados de metal, plástico, vidro e borracha, a encher o ego amorfo duns quantos palhaços sem noção do ridículo, quase percebo o mar, que não vejo daqui, lá ao fundo na praia, cinzento como o céu, apetece-me que me façam um broche, imagino as ondas a trazerem até à areia toda a espécie de lixo e porcaria, muita de origem humana, cagalhões a rolarem nos calhaus, talvez a saciarem a fome de algum bicharoco, a essência humana a desfazer-se em merda neste mundo de cornetas gregas sem consciência de o serem, esta porra nunca mais acaba, onde andará Fernão?, será que os beduínos ainda estão junto da mesma árvore?, quem dorme a esta hora do dia são as putas e os chulos, trabalham de noite, os que não trabalham de dia, lavam os corpos com esporra, dizem que torna a pele mais fresca e bela, sem borbulhas, coisas das hormonas, e a conta da luz para pagar, caralho, tenho que trabalhar, quem não trabuca não manduca, quem manduca fica obeso, os obesos são gordos como potes, e esta prosa parece escrita por um esquizofrénico, o sol nunca mais desponta, peguem o toiro pelos cornos, em pontas, toiros bailarinos a dançar em pontas, bardacaca, bardachicha e bardaporra, para não dizer BARDAMERDA!!!

Há dias assim...

segunda-feira, abril 04, 2005

cultura

conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade

in: dicionário Priberam Informática - Língua Portuguesa On-Line
http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx

sábado, abril 02, 2005

noticia necrológica

Karol Wojtyla morreu.

Paz à sua alma.

qu'é feito dos homens!?

Só por curiosidade, fiz uma busca no MSN Paquera (pessoas que procuram outras pessoas para fins de amizade...). Nunca tinha ido a um sítio destes, pois amigos e amigas tenho em número suficiente (poucos mas bons) e, para outros fins, também não tenho razões de queixa.
Mas estava curioso em ver o resultado de uma pesquisa destas e assim fiz. Pus como critérios de busca apenas: entre 40 e 50 anos e em Portugal. O resultado surpreendeu-me, ou talvez não!
Surgiu-me uma lista com um total de 214 mulheres, maioritariamente divorciadas, separadas, solteiras, e algumas viúvas.

É caso para perguntar: Que é feito dos homens!?

Agora a sério:
É impressionante a solidão em que as pessoas vivem. Já aqui o tenho referido.
Quanto mais, melhores e mais rápidos meios de comunicação temos, menos comunicamos uns com os outros, e mais isolados vivemos, fechados no nosso interior, incapazes de exteriorizar o nosso ser, por falta de um receptor francamente aberto a essa exteriorização.
Não admira, então, que alguns dos cursos que hoje dão melhores garantias ao estudante de uma futura vida profissional segura e profícua, e que garantam bons rendimentos, sejam os de Psiquiatria e Psicologia... Há cada vez mais pessoas a recorrer, ou a necessitar de recorrer, à psicoterapia.

Numa relação causal, de causa-efeito, atribuo a causa ao ritmo alucinante em que se vive hoje em dia.
As pessoas correm desabridamente de um lado para o outro, sem tempo para nada. Sobretudo sem tempo para pararem um bocadinho e pensarem em si próprias. Bastaria isso, pensarem em si mesmas, para que pensassem nos outros. Pois ao pensarem em si mesmas e baixarem o ritmo, teriam tempo para estar com os outros.
Baixar o ritmo para poder fruir a vida. Viver como se tivéssemos todo o tempo do mundo (e temos...) e não como se o mundo fosse acabar amanhã. Perceber que não temos que viver tudo no mesmo dia, e que o amanhã existe.

A minha canção preferida é do Pedro Abrunhosa e tem por título: É PRECISO TER CALMA.

sexta-feira, abril 01, 2005

PRIMEIRO DE ABRIL

Hoje é Dia das Mentiras!
Verdade ou mentira ? :)

quarta-feira, março 30, 2005

a saga do beduíno VI

Este episódio, o sexto, salta por cima do episódio "a saga do beduíno V" a qual se resumia à simples asserção: O beduíno tem esse nome por causa do forte cheiro a bedum.
Considerámos este episódio pouco profícuo no alinhamento psico-social da estória dramática cujo desenrolar temos vindo a acompanhar desde o primeiro dia.
Assim passamos de imediato ao episódio VI:

Após o dromedário (alentejano, de ascendência Ostrogoda) ter aliviado as tripas por sobre os dois beduínos, que já lá estavam, e se ter afastado após um sonoro e retumbante peido (o designado 'tracus camellius'), as coisas pioraram. Vinda de Oriente, surgiu de súbito uma praga de chatos, 'Phthirius pubis', transportada nas virilhas dum bando irregular de dançarinas do ventre, 'danccarinae ventralis'.

terça-feira, março 29, 2005

a saga do beduíno IV

O dromedário aproximou-se da árvore e como estava com uma grande vontade de arrear a bosta e limpar a tripa, cagou. Como só um dromedário é capaz de cagar. Formou-se um grande monte de bostas e os dois beduínos ficaram atolados em bosta até ao pescoço, ficando só com as pobres cabecitas de fora.
O dromedário era um dromedário português... ... alentejano.

segunda-feira, março 28, 2005

a saga do beduíno III

A situação era deveras estranha naquele imenso deserto de areia, de dunas, que se estendia até ao infinito, e naquele insignificante local; aquela pequena árvore rodeada de bostas de dromedário, à sombra da qual se sentavam dois beduínos... simplesmente perdidos.

domingo, março 27, 2005

a saga do beduíno II

O beduíno caminhava pelo deserto e encontrou uma árvore rodeada de bostas de dromedário junto à qual estava outro beduíno, e o beduíno parou, olhou para a árvore, olhou para as bostas, olhou para o beduíno que já lá estava, e exclamou:
— Mas ca ganda merda!

sexta-feira, março 25, 2005

o beduíno

Andava um beduíno perdido no deserto quando encontrou uma árvore rodeada de bostas de dromedário.
— Mas ca ganda merda! — exclamou o beduíno (era um beduino português).

quarta-feira, março 23, 2005

ultrapassagem

Há coisas que me ultrapassam, e as normas do Bem Falar e Bem Escrever a Língua Portuguesa são uma delas.

Neste inefável e inaudito momento dou comigo a pensar:
Se um homem que trabalha numa mina se chama MINEIRO, porque razão um homem que toca trombone não se chama TROMBEIRO?

fallor ergo sum

sábado, março 12, 2005

perfil vs. contorno

As pessoas surgem de frente, de costas, de lado, a 3/4, de muitas perspectivas.
Mas é de perfil que sinto que as conheço melhor.

Aquela linha dura e iniludível que as contorna, passando por todas as saliências, protuberâncias e reentrâncias, recorta-as contra o nada ilusório.
Nas várias perspectivas são pessoas no sentido grego; per sonare. São as máscaras sobre os rostos dos actores.
No contorno são os actores que sobressaem sob as máscaras e as cornetas.

É a verdade que não se consegue ocultar.

terça-feira, março 08, 2005

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Este dia existe por uma razão.
Este dia não devia existir.
Este dia tem que acabar... por falta de razão para existir.

NÃO à hipocrisia, SIM à dignidade humana!

MULHER, HÁ HOMENS CONTIGO NA TUA LUTA!

domingo, março 06, 2005

Karamba...

É no fim do ano que se costuma fazer as previsões astrológicas para o ano seguinte.
Mas este ano deitei os búzios mais cedo (na verdade, tropecei no gato e eles cairam-me da mão...) e deixo aqui as minhas previsões para o ano de 2006:


- Jorge Sampaio, de casaca virada, colarinhos engomados e chapéu alto, aceita convite formal para ingressar no PSD.

- Freitas do Amaral, com um pc-wintel da micro$ofre Made In Taiwan, inscreve-se online no Bloco de Esquerda.

- Paulo Portas, iluminado por Deus a quem pediu ajuda e protecção, publica uma autobiografia intitulada "Vida Submarina".

- Isaltino de Morais transfere verbas para um sobrinho, carroceiro no Sri Lanka, e pela milésima vez é presidente da Câmara Municipal de Oeiras.

- O Caso 'Casa Pia' é arquivado por falta de provas; Bibi e Carlos Cruz abrem uma creche multimédia.

- O Sporting sagra-se Campeão Nacional de Futebol... verdade ! juro !

TODA A MOÇA QU'É BONITA TAMBÉM DÁ O SEU PEIDINHO...

sábado, fevereiro 26, 2005

a frio

Agora mais a frio — literalmente... — chegou o momento de tecer alguns comentários sobre os resultados eleitorais.

O primeiro é a constatação de que eu estava certíssimo quando em 21 Julho 2004 referi a minha 'teoria da conspiração', e em 23 Julho 2004 expus também a minha 'teoria da conspiração 2' e a 'addenda' (ver mais abaixo no blog.)

Os resultados eleitorais demonstram que eu estava correcto quanto à opção tomada por Sampaio — não convocar eleições antecipadas quando Durão 'cavou à francesa para Bruxelas e o país que se lixe'.

Em segundo lugar, o aumento de votos em todas as forças, exceptuando as que estavam no governo, incluindo também a diminuição da abstenção, demonstra cabalmente e sem margem para dúvidas, se as houvesse, que o objectivo do cidadão eleitor foi mostrar a revolta e o descontentamento, a agonia, que sentia em relação à situação político-económica vivida pelo país nos últimos tempos, e penalizar as forças governativas — para quem já esqueceu, que as pessoas têm memória curta: PPD-PSD e CDS-PP.

Em terceiro lugar, preocupa-me a ideia de que o PS 'embandeire em arco' e não perceba, ou não queira perceber, as verdadeiras motivações que conduziram à sua escalada eleitoral e correspondente maioria absoluta, e acredite que tal se deveu a uma verdadeira confiança do eleitorado num projecto de governação que em boa verdade não tem nem nunca teve.

Em quarto lugar, preocupa-me a maioria absoluta — erro tipicamente português de pôr as cartas todas na mão do adversário —, e isso abrir, escancarar, as portas para o PS fazer aquilo que sabe fazer melhor, e a que já nos habituou: concretamente, querer estar bem com todos e, para isso, fazer toda a espécie de tropelias, de cedências à direita capitalista, ao patronato, aos grandes grupos económicos, à justiça (assim, com caixa baixa), aos dirigentes desportivos e aos clubes de futebol, ad infinitum, esquecendo-se sistematicamente dos Trabalhadores (assim, com caixa alta) e dos desfavorecidos.

O que eu pergunto é; quando o PS começar a tomar medidas impopulares — e vai tomá-las, a situação económica para aí aponta —, começar a aprovar leis contra os anseios dos cidadãos de melhoria da qualidade de vida, desatar a fazer cedências inconsequentes ou de péssima consequência, enterrar ainda mais o país — onde está o projecto deles para contrariar essa inevitabilidade? —e por aí fora, tudo isto com o apoio na Assembleia da República dos partidos de direita a somarem-se a uma maioria que nem precisará deles para passar seja o que for, numa situação em que o único travão e garante de consciência será o veto do Presidente da República — por enquanto do lado deles, logo dando poucas garantias nesse sentido; previsivelmente, a continuar assim nas próximas eleições presidenciais, que o PS poderá ganhar... pergunto: o que vão os cidadãos fazer? Lembram-se da dificuldade que foi para demitir o governo maioritário de Cavaco Silva?

Pois é. Aproximam-se tempos de luta. É bom que as pessoas se mentalizem para isso e não cruzem os braços.

Oxalá eu esteja enganado. Não o creio.

FALLOR ERGO SUM

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

fallor ergo sum

Assim a quente ainda não estou em condições de comentar.

Eu esperava uma mudança.
Aconteceu uma mudança, mas... será que mudou mesmo alguma coisa?
Agora vou dormir e mais tarde direi alguma coisa sobre o assunto.

A inevitável citação: fallor ergo sum...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Campanha Bufa - Fevereiro 2005

Olá meus queridos:

Recebi este soneto, da autoria do meu amigo Carlos Bueno, soneto que acho de tão fino recorte literário e de tão grande perspicácia e actualidade, que me pareceu sacanagem não o partilhar convosco. Ei-lo:


Há que ter orgulho em ser ovelha negra,
Vote-se no Bloco de Esquerda ou noutro partido da moda,
O importante é votar na nova regra,
E eleger o partido que mais incomoda.
 
O Bloco Central que se avizinha, integra,
O Santana e o Sócrates, na mesma roda,
Mas o pior é que o país se desintegra,
E o erário público é que vai todo à poda.
 
Não falamos em coisas fúteis e já mortas,
Lixo de Santana, submarinos de Paulo Portas,
Falamos em coisas vivas, em liberdade!
 
Em crianças que se sentam no banco dos réus,
Em lares que não têm de comer para os seus,
E é isto, Jerónimo, o que tu temes de verdade!
 
Carlos Santos Bueno


Herr Karl sempre ao ataque! :)

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

há fantasmas na linha...


Há fantasmas na linha fónica-à-distância da PT!
Só isso pode justificar a recorrência de eventos como o que descrevo de seguida: o telefone fixo, alugado à PT há quase 16 anos, toca estrídulo como um caramujo histérico; acerco-me dele em passos incertos e levanto o auscultador com a minha mão esquerda (a única funcional); atendo com o habitual e inequívoco 'estou' (o que é rigorosamente verdade; ensinaram-me que mentir é muito feio); do outro lado ninguém responde, nenhuma voz ou respiração, apenas o silêncio; apenas o silêncio, não! este é metodicamente esfrangalhado por um 'PIII...PIII...PIII' agudo; um apito lancinante e intermitente com intervalos de cerca de 2 ou 3 segundos; pouso o auscultador no descanso, desligo o telefone, e digo para mim mesmo 'TOMATES!'; algum tempo depois, toca de novo, ignoro-o e não o atendo...

Tenho três registos de ocorrências destas: em 30 de Abril de 2002, pelas 01:05 e 17:15; em 09 de Fevereiro de 2005, entre as 23:00 e as 24:00; e em 10 de Fevereiro de 2005, pelas 04:00; mas a memória lembra-me que já houve mais, das quais não tomei nota.
Conto a história lá em baixo na tabacaria e ouço alguém dizer "Não é o único."
Se de dia é desagradável, de madrugada, então, nem se fala!
Malditos fantasmas que andam na rede fixa da PT a divertirem-se à nossa custa!

Se eles fossem mas é brincar com a pilinha do menino jesus...

sábado, fevereiro 05, 2005

finalmente


Finalmente, a CHUVA !

domingo, janeiro 30, 2005

— Até amanhã, camaradas!




— Até amanhã, camarada!


sexta-feira, janeiro 28, 2005

challenger, o desafio


Não podia deixar acabar o dia sem fazer este post. Faço-o ao jeito de homenagem a 7 bravos astronautas que, há 19 anos, neste dia viram chegar ao fim os seus sonhos de glória.

Há acontecimentos que nos marcam profundamente. Sou um daqueles privilegiados que, com 12 anos de idade, esteve de nariz pregado ao televisor durante aquela madrugada a ver as estranhas imagens cinzentas de um mundo distante e surreal que a RTP transmitiu na célebre e histórica descida do Homem na Lua (20 de Julho de 1969, 4:17;42 pm Eastern Daylight Time). Sentia-me fascinado por tudo o que dizia respeito às viagens espaciais. Recortava as reportagens que apareciam no Diário Popular e no Diário de Notícias, via qualquer e todo o programa que fosse transmitido sobre o assunto, lia romances de ficção científica, sabia os nomes de imensas estrelas e constelações, conhecia múltiplos pormenores das missões Mercury e Apollo, sonhava ser astronauta...
Esse fascínio continuou pelos anos fora, mesmo depois de se terem de algum modo banalizado as viagens espaciais. Sempre que me era possível, assistia às emissões em directo dos lançamentos e regressos das naves e às transmissões de bordo das mesmas.

O dia 28 de Janeiro de 1986 não seria excepção.
Eu estava em casa e a emissão era em directo como já se tinha tornado hábito. Eu aguardava ansiosamente pelo começoo da transmissão e via os flashbacks que iam sendo transmitidos. Mas por vezes o corpo domina a nossa vontade e o inevitável acontece. Há necessidades imperiosas que temos que satisfazer, por muito que as queiramos contrariar. Foi o que me sucedeu. Uma forte e iniludível dor de barriga levou-me ao w.c., precisamente um ou dois minutos antes da contagem decrescente. Pelo que já não assisti às imagens (fá-lo-ia mais tarde, pois foram a notícia do dia). Contudo, tinha o volume da televisão elevado, pelo que no w.c. conseguia acompanhar o som e ouvir o locutor. Assim, senti todo o horror e a dor da tragédia.

Às 11:38:73 locais (16;38:73 em Lisboa) o Space Shuttle CHALLENGER (STA-099, OV-99), missão 51-L, EXPLODIA. Morreram todos os membros da tripulação. Eis os seus nomes:
Francis R. (Dick) Scobee (Commander), Michael John Smith (Pilot), Ellison S. Onizuka (Mission Specialist One), Judith Arlene Resnik (Mission Specialist Two), Ronald Erwin McNair (Mission Specialist Three), Sharon Christa McAuliffe (Payload Specialist One) e Gregory Bruce Jarvis (Payload Specialist Two).

" (...) We will never forget them, nor the last time we saw them, this morning, as they prepared for their journey and waved goodbye and "slipped the surly bonds of earth" to "touch the face of God."

quinta-feira, janeiro 27, 2005

locale fluidu


Paredes brancas. Brancas leitosas, plásticas. Rasgadas aqui e ali por fendas, como raios negros. Manchadas ali e acolá por borrões arroxeados, como cagadelas de moscas gigantes.
Água a escorrer pelas paredes. Borrando os raios. Esborratando ainda mais os borrões.
Uma pequena bola azul rola e rebola de um lado para o outro como empurrada por um gato invisível.
O poço no chão não existe. É pintado. Falso. Trompe-l'oeil.
Assim como a porta metálica. Até a ferrugem e os ferrolhos são a fingir.
A luz vem de cima. De algures. Desmaia e escorre pelas paredes. Desliza acompanhando a água na direcção de onde não pode fugir.

Pantha Rei. Ouve-se ressoar ao longe o eco da gargalhada meio abafada de Heráclito.

sábado, janeiro 08, 2005

aposto que os gajos da TvCabo usam windows...


Por vezes pergunto a mim mesmo se certas coisas acontecem de facto por acaso ou...

Senão vejamos:
A estória que coloco aqui já me aconteceu umas 2 ou 3 vezes no último ano. E se eu estou atento, quantos milhares de incautos não dão por ela e... lá vão mais umas massas engrossar a bojuda conta bancária da TvCabo, que mesmo que passado algum tempo reponha a situação, teve lá o dinheiro durante algum tempo a capitalizar juros na sua conta...

Explico melhor a 'técnica':
Recebi hoje a habitual factura mensal da TvCabo. Até aqui tudo normal. Acontece que o valor a pagar era a duplicar, incluindo o montante da factura anterior, montante este, segundo eles, em dívida. Claro que no mês passado paguei em devido tempo a factura anterior e dentro da data limite. Tenho esta certeza e já fui à gaveta do móvel da sala fazer a confirmação. A factura está lá, com o talão Multibanco agrafado, e está paga.

Poder-se-ia pensar numa discrepância temporal de comunicação dos serviços e sistemas associados. Mas hoje em dia tudo, ou quase tudo, é automático e baseado em sistemas informáticos, que trabalham 24h. por dia, todos os dias, à velocidade da luz (pelo menos quando fazemos um pagamento; se consultarmos logo de imediato os movimentos da nossa conta, a massa já voou...)
Ora a factura de Dezembro foi paga dia 27. Esta de hoje foi emitida dia 3. Entre 27 de Dezembro e 3 de Janeiro decorreram 7 dias e os 'computadores' não tiveram tempo para perceber que estava tudo em dia e que não existia nenhum montante em dívida...
Claro que a factura de hoje vem acompanhada de uma carta a dizer que caso a factura anterior tenha sido liquidada, para se pagar apenas o valor correspondente à actual factura.

Mas, quantas pessoas se dão ao trabalho de ler a referida carta?
Quantas pessoas não se limitam a pegar na factura e, na primeira caixa Multibanco pela qual passam, a pagá-la?
Quantas pessoas, no meio das toneladas de facturas que todos os meses recebemos, olham atentamente para o valor das mesmas e se apercebem de que ele está errado?
E o que acontece se uma pessoa pagar de novo o que já pagou? A verba é imediatamente devolvida ou é abatida só na factura do mês seguinte? E será que o sistema detecta facilmente este pagamento duplicado? Se sim, então porque não detectou a duplicação aquando da emissão da factura?

Será mesmo que o problema é do computadores!?
Quase que aposto que os gajos usam windows!

E para terminar, as inevitáveis citações:
«Computers are like air conditioners. They stop working properly when you open Windows» unknown.
«I don't do .INI, .BAT, or .SYS files. I don't assign apps to files. I don't configure peripherals or networks before using them. I have a computer to do all that. I have a Macintosh, not a hobby.» Fritz Anderson.


Usem MACS, porra!

segunda-feira, janeiro 03, 2005

adeus Carol


Arre, que este blog começa cada vez mais a parecer-se com uma página de necrologia...

Sábado último, dia 1 de Janeiro, mais um falecimento.
Desta feita foi a avó da minha esposa Isaura, Carolina de Jesus Nogueira, que aos 92 anos deixou este mundo (talvez sem qualquer vontade de cá voltar).
Pelo menos neste caso, para contrariar os outros, a 'passagem' foi calma e serena, apenas um simples adormecer sem dor.

ADEUS CAROL !

quinta-feira, dezembro 30, 2004

BOM ANO NOVO !!!


Um 2005 cheio de Prosperidade, de Realização Pessoal e Profissional, cheio de Felicidade e Saúde, e que seja a Concretização de todos os Vossos Sonhos, são os meus mais sinceros Votos.


FELIZ 2005 !


p.s.: BardaCáca, BardaChicha e BardaPorra para o 2004, para não dizer BardaMerda...

quarta-feira, dezembro 29, 2004

vejo amigos partirem


Nos últimos dias só tenho tido notícias destas.

MALDITO CANCRO !!!

adeus Chico


Soube ontem pelo teu sobrinho Jorge a triste notícia.

ADEUS AMIGO CHICO !

sábado, dezembro 25, 2004

adeus Carlos


Soube hoje pelo meu irmão Júlio a triste notícia.

ADEUS, AMIGO CARRICA !

quarta-feira, dezembro 08, 2004

imagine all the people...


"We're all Christ and we're all Hitler. We are trying to make Christ's message contemporary. We want Christ to win. What would he have done if he had advertisements, T.V., records, films and newspapers? The miracle today is communication. So let's use it."

John Lennon '69

segunda-feira, dezembro 06, 2004

olha a novidade...


24 anos passados, as investigações ao 'acidente' de Camarate provaram aquilo que todos sabíamos desde aquele dia, 04 de Dezembro: Sá Carneiro foi ASSASSINADO!

Olha a novidade...

terça-feira, novembro 30, 2004

Bumba !


Chama-se dar o peido-mestre...

Vejam, mais abaixo, 'Teoria da Conspiração' e 'Teoria da Conspiração 2', de 21 e 23 Julho respectivamente.

quinta-feira, novembro 25, 2004

NOVIDADES


Há NOVIDADES no meu outro blog Rememorar Oeiras !

Porque não ir lá espreitar ? O Link está aqui mesmo ao lado.

Abraços.

quarta-feira, novembro 10, 2004

O peripatético de Pallet


Coitado do Abelardo (1079-1142) !


Ou est la tres sage Helloïs
Pour qui fut chastré et puis moyne
Pierre Esbaillart a Saint Denys?
Pour son amour ot ceste essoyne.
Mais ou sont les neiges d'antan?

Onde está a sensata Heloísa
Por quem foi castrado e depois monge
Pedro Abelardo em S. Dionísio?
Por amor dela teve esta desgraça.
Mas onde estão as neves d'antanho?


É dura, a vida de filósofo... :)

segunda-feira, novembro 08, 2004

CIA



Portugal
International organization participation:

AfDB, AsDB, Australia Group, BIS, CE, CERN, EAPC, EBRD, EIB, EMU, ESA, EU, FAO, IADB, IAEA, IBRD, ICAO, ICC, ICCt, ICFTU, ICRM, IDA, IEA, IFAD, IFC, IFRCS, IHO, ILO, IMF, IMO, Interpol, IOC, IOM, ISO, ITU, LAIA (observer), NAM (guest), NATO, NEA, NSG, OAS (observer), OECD, OPCW, OSCE, PCA, UN, UNCTAD, UNESCO, UNIDO, UNMIK, UNMISET, UPU, WCL, WCO, WEU, WFTU, WHO, WIPO, WMO, WToO, WTrO, ZC

in: http://www.cia.gov/cia/publications/factbook/geos/po.html (sem pedido oficial de reprodução; também... ainda não fiz o post e a esta hora já eles sabem que o vou fazer! :) )

Suspeito que eles sabem mais de nós, que o nosso primeiro-ministro...

quinta-feira, outubro 28, 2004

adeus choupo que foste vítima de mentecaptos


1.

Hoje o acordar foi triste.

Eram talvez umas 09:45 quando saí do quarto e entrei no escritório.
Olhei pela janela, em parte para ver como estava o tempo, ultimamente manhoso, mas também para deixar os meus olhos passearem-se pela copa do magnífico e imponente choupo, visível a uns 5 ou 6 metros da minha varanda.

Um pormenor de imediato captou a minha atenção: um preto empoleirado num ramo, de serrote em punho, serrava furiosamente algumas grossas ramadas à sua volta.
No entorpecimento matinal, ocorreu-me ingenuamente que a Câmara, receosa de potenciais acidentes, ou avisada da iminência de algum, tivesse decidido podar algumas ramadas de natureza mais instável.

Achei bem.
Há que zelar pela segurança de pessoas e bens.
Há que acautelar, antes, para não ter depois que 'reparar o irreparável'.

Sentei-me na cadeira e concentrei-me no ecrã do computador.
Havia muito trabalho para fazer.
Muitas ilustrações para desenhar.
Assim se passou talvez uma ou duas horas.
Concentrado, como é meu hábito, desligado de tudo o que me rodeava, não assisti, felizmente, ao crime hediondo e inqualificável que estava a ser perpetrado.

Fui para ele despertado pelo grito de horror de minha esposa, que entretanto entrara no escritório:
— Destruíram o nosso choupo!
Olhei para a janela e fiquei horrorizado, completamente estarrecido.
Da frondosa e imensa copa, refúgio de centenas de pardais e outra passarada, já nada existia.

Via-se apenas a ponta serrada, partida, triste e ferida do tronco, projectando-se deste os cepos selvaticamente rachados do que antes foram grossos ramos e compridas ramadas, que sustentavam como braços de gigante aquela copa imensa que murmurava no silêncio da noite, que dançava na brisa fresca, que tantas vezes me embalara em noites de insónia.

É indescritível, é inefável, o som do murmúrio daqueles milhares de folhinhas a roçagarem umas nas outras no silêncio lunar.
Não tenho palavras para descrever o profundo, sublime, sentimento de prazer provocado por essa sinfonia, que era o ciciar das folhas acompanhado pelo pipilar cúmplice da passarada.
Quantas vezes, à noite na cama, me deliciei a ouvir esse autêntico concerto de jazz consubstanciado no swing das vibrações do ar, que vindas do choupo me entravam pelo quarto dentro e se espraiavam por cima da cama como um suave véu de seda macia, que me adormecia na convicção da transcendência.


2.

Quando saí de casa para ir almoçar, tive oportunidade de falar com algumas pessoas, sendo que a primeira foi uma engenheira florestal da Câmara Municipal de Oeiras, assim se identificou, que tinha sido alertada por um munícipe e estava a procurar averiguar de quem partira a ideia daquela barbárie.
Pouco tempo passado, disse-me, sem o garantir, que a acção parecia ter partido da própria Câmara, por razão de um qualquer projecto de acesso pedonal com rampa para deficientes, a construir naquele mesmo local.

É de louvar a preocupação com a melhoria das acessibilidades, mas quem conhece o local não acredita de modo algum na impossibilidade de desenhar uma solução capaz de poupar a vida a tal árvore, cujas características a tornavam indubitavelmente Património Natural do Concelho.

Uma outra senhora com que falei referiu-me que morava ali há cerca de 30 anos e lembrava-se de sempre ter visto ali a árvore.
Um senhor disse-me da dificuldade de uma mãe ou avô, não recordo bem, que passava, explicar à criancinha com quem ia e que a questionara, o que estava a acontecer e porque razão aqueles homens estavam a fazer aquilo à árvore.
Mais duas ou três pessoas com quem também falei mostraram-se escandalizadas com o acontecido.
O léxico utilizado pelas pessoas contemplava, em regra: crime, barbaridade, selvajaria, hediondo, etc.
O sentimento geral dos munícipes pareceu-me de revolta e indignação.

Para dar uma ideia da dimensão da citada árvore refiro que moro num 2.º andar e a minha varanda ficava abaixo do meio da copa.
Tanto quanto recordo, e tenho ainda documentado com 2 fotografias, a árvore atingia no seu ponto mais alto quase o 5.º andar do meu prédio.
Refiro ainda que o ponto de implantação da árvore não era ao nível do prédio, mas mais abaixo, cerca de uns 2,5 m., pois daquele lado existe um pequeno talude.
Isto tudo somado dava ao choupo uma altura estimada de cerca de 15 a 20 m.


3.

Onde estava um choupo, que nos dava qualidade de vida, agora vamos ter ferro e cimento...

Onde estava um choupo cuja copa nos dava privacidade, agora temos as janelas dos vizinhos...

Onde estava um choupo que era uma barreira natural contra o vento agora vamos ter a ventania...

Onde estava um choupo que era um 'planeta' carregado de vida vegetal e animal, numa miríade de microorganismos e de pequenos seres vivos que nele tinham o seu habitat, o seu ecossistema, ou parte dele, e que com a árvore inter-agiam num processo vital de simbioses e cadeias alimentares multifacetadas e riquíssimas, agora vamos ter...


4.

Enquanto escrevo isto, sentado frente ao computador, no mesmo sítio de sempre, olho para a direita através da janela e sinto um aperto na garganta. Há algo que me estrangula e falta-me o ar!

p.s.: Este texto encontra-se também publicado no meu blog Rememorar Oeiras. Pela relevância do acontecido achei por bem publicá-lo nos dois locais.

domingo, outubro 24, 2004

coleccionava singularidades


Coleccionava singularidades.
Começara ainda miúdo com um pequeno fóssil de turritela (1) que encontrara numa escarpa rochosa da praia onde passava as quentes e doces férias de verão.
Apanhou-o do chão com os seus pequenos dedos, rolou-o e observou-o com atenção fascinada. Uma pequena rosca de rocha dura. Cem milhões de anos na ponta dos seus dedos juvenis. Um frémito percorreu o seu corpo. Um tiranossaurus rex rugiu ao longe. Apertou a pequena rocha fusiforme na palma da mão e forçou as pernas a moverem-se. Era difícil mover os pés, mergulhados no lodo cretáceo. Mas conseguiu. E caminhou seguro sobre a areia quente da praia, sob o sol escaldante e inclemente, até ao chapéu de sol onde a família estava abancada.
Quando as férias terminaram levou para casa aquele objecto precioso, aquele tesouro singular, e guardou-o bem guardado no seu quarto. O tempo passou e regularmente pegava no objecto e observava-o com paixão e fascínio, pensando "onde este estava há mais e vou recolhê-los!"
E recolheu. Mais turritelas. Não só naquele local mas em muitos outros onde as encontrava. Não só turritelas mas tudo quanto fosse fóssil, pedra curiosa, cristal, pedaço de madeira, objecto curioso, singularidade...
Por todo o lado, em casa, no sotão, na arrecadação, nas gavetas, sobre os móveis, em caixas velhas de cartão, aqui e ali, havia objectos da sua colecção.
Mas sentia-a sempre incompleta. Não conseguia considerá-la terminada, completa e finita. Sentia que 'cabia sempre mais um'. Havia sempre mais um objecto a acrescentar. Aparecia. Encontrava-o. Achava-o. Não o podia desperdiçar e deixar a colecção incompleta! Assim, juntava, juntava, juntava...

O miúdo tinha crescido. Fizera-se homem adulto. E a colecção crescera desmesuradamente. A maioria dos objectos, para os outros, era apenas 'tralha'. Não tinham valor nenhum. Quanto muito haveria um ou outro mais 'giro' ou 'curioso'. Apenas isso. Mas para ele era bem diferente. Eram valiosíssimos. Eram a Sua Colecção! E valiam pela singularidade. Não se conseguia desfazer deles, de nenhum deles. Não conseguia sequer imaginar-se sem eles.
Sonhara um dia organizá-los numa espécie de mini-museu caseiro. Organizados e dispostos em belas prateleiras de vidro, iluminados com arte e com pequenas etiquetas identificadoras. Mas via cada vez mais longínquo esse sonho. Razões económicas, já se vê. O que não o impedia de continuar a coleccionar. A colecção infinita.
Por vezes olhava um ou outro objecto da sua colecção, que descobria ao abrir uma gaveta ou a porta de um móvel. Uma velha lupa de vidro da qual sobrara o aro e a lente e desaparecera a pega ou um pequeno canivete suiço ao qual faltava o palito, a sua primeira máquina fotográfica para a qual já não havia rolos, um dente de cavalo achado na praia e metido numa caixinha plástica com um algodão no fundo, a ocular da máquina fotográfica que se avariara, desmontara e 'lixara', o passe de estudante da CP de Oeiras a Cascais com o velho bilhete mensal de 47$50, uma lente de óculos com função de godé suja de gouache, uma lanterna que há anos não funcionava, um isqueiro a gasolina trucidado por um carro e todo amachucado, uma pequena válvula de combustível de um avião T7, parafusos, porcas, pedras, conchas, pedaços disto, pedaços daquilo, pedaços de tudo e pedaços de nada, porções, completudes, singularidades..., e pensava "para que quero eu esta merda?" Mas não conseguia deitar o objecto fora. Sentia-o como único no cosmos. Podia haver muitos parecidos, mas nenhum rigorosamente igual. O que o tornava singular. E lhe dava um valor inestimável. E lá voltava o objecto para a gaveta ou caixa de onde tinha saído.
Chegou a pensar em organizar os objectos em colecções temáticas: moedas, selos, postais, fósseis, fotografias, rochas, búzios e conchas, desenhos, navalhas, livros, miniaturas, isqueiros, óculos, canetas... Uma Colecção de Colecções! Mas não funcionou. Apareciam sempre novos objectos a abrir novas rubricas e outros que 'voavam' de rubrica em rubrica. A carteira profissional da avó ou a certidão de nascimento do pai entravam na rubrica 'documentos', na rubrica 'história', na 'família' ou em 'testemunhos do período fascista'? Que confusão!
Assim continuou, como sempre. A juntar. Juntando, juntando, juntando...

Coleccionava singularidades.

(1) - TURRITELLA - PALEONT. Foi Lamarck quem, pela 1.ª vez, em 1799, designou este gén. de animais marinhos por este nome. A concha é cónica, alongada, com muitas espiras bem individualizadas; ornamentação formada por cordões longitudinais, tornando-se granulosa nos ambientes salobres; durante o crescimento de cada indivíduo os caracteres ornamentais modificam-se; este facto permite reconstruir as afinidades inter-específicas. Abertura holóstoma, oval ou arredondada. Os animais do gén. T. apareceram no Cretácico, tiveram a maior expansão no Terciário e chegaram à actualidade, sendo vulgares nas praias portuguesas. Os fósseis são extraordinariamente abundantes em certos sedimentos miocénicos de Portugal, apresentando formas muito grandes.
in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Verbo, V. 18, p.277

2001, Oeiras

domingo, outubro 17, 2004

ocaso


nota: esta estória foi escrita em 2002 e é um bocadinho grande, mas tenho um especial carinho por ela (os meus amigos vão perceber porquê; basta recuarem a 1995...), e decidi deixá-la aqui, sem a alterar excepto num ou outro acento que 'fugiu'.


Eram talvez sete horas da manhã. O trânsito estava uma merda como de costume!
O previsível dia de calor enchia a rua de carros repletos de marmanjada que se dirigia que nem carneiros para as praias das redondezas, para além dos desgraçados que iam trabalhar, porque não estavam de férias. Toneladas de carne gorda e balofa, mal passada, a caminho da Caparica e da Fonte da Telha. A ponte começava a encher. Os acessos já o estavam. Mas não era para aí que eu me dirigia apesar de seguir na mesma direcção. Simplesmente, via agora, tomara uma decisão errada em pretender ir primeiro a Lisboa. O volks, no meio da multidão, gemia que nem uma carroça. Mas mantinha-se impecável ou não fosse um volks. Eu é que começava a ferver e não era da temperatura que subia rapidamente. Só havia uma coisa a fazer. Saí da autoestrada na primeira saída que apareceu, para vias mais calmas e desimpedidas. Fiz a inversão de marcha e voltei à autoestrada, desta feita em sentido contrário. Claro que quase não existia movimento. O volks cantou contente e acelerou. Sentia-se valente com certeza. Estava eufórico. Tive que o agarrar com força para que não me escapasse das mãos.

Acendi um éssegê e colocando o cotovelo esquerdo na janela aberta dei uma longa baforada espreguiçando o corpo, dentro do possível a quem vai a conduzir. Não demorei a chegar onde queria. Procurei estacionamento, o que não foi muito difícil. Eu sabia onde estavam os carros! Desliguei o motor, fechei a janela. Saí do volks, fechei a porta e tranquei-a. Dirigi-me ao enorme edifício de vidro e metal e cruzei as portas de vidro, que se abriram à minha aproximação. Com um sussurro, fecharam-se nas minhas costas, enquanto eu me dirigia ao elevador. Carreguei no botão de chamada. Para subir. Segura na mão direita levava a enorme pasta negra dentro da qual, bem protegida, seguia a maqueta para o cartaz polícromo, que tanto trabalho dera a executar. E a conceber. Esperava uma aprovação sem problemas.

O elevador parou com um plim e a porta abriu-se à minha frente. Afastei-me pois de dentro dele saiu um cão todo lampeiro. Dei-lhe os bons-dias quando passou pela minha frente. Armou-se em importante e não respondeu. Um cão de raça com aspecto de bem tratado. Não era nenhum rafeiro vadio. Tinha uma dimensão média. Dava-me pelo meio da coxa. Não sou muito alto. Bem, nem muito nem pouco. Também sou médio. O cão era castanho, com o pêlo impecavelmente cuidado. Saiu do elevador rapidamente em direcção à entrada principal. O seu corpo accionou o dispositivo automático e as portas abriram-se à sua passagem. Entrei no elevador observando a minha imagem reflectir-se nos inevitáveis espelhos. A porta fechou-se atrás de mim. Pressionei a tecla do andar pretendido e aguardei. O elevador começou o seu movimento rápida e suavemente. Com um pequeno solavanco e um plim imobilizou-se. Empurrei a porta e saí, sempre segurando a minha pasta negra.

O vento frio fez-me estremecer. Era um daqueles ventos gelados de inverno que parecem querer cortar-nos as orelhas. A luz em que eu estava mergulhado fazia também recordar o mais rigoroso dos invernos. Olhei para trás. O elevador tinha desaparecido. No lugar onde se deveria ver a porta nem parede havia. Olhei em redor. O compartimento, de três paredes, não era muito grande. As paredes, de madeira, faziam lembrar o interior de uma barraca tipo T0 da Buraca. Estava vazio. Vazio, vazio, não. A um canto divisava-se, enrolado sobre si mesmo, um gato cinzento mal encarado à brava. Estava sujíssimo e carregado de marcas de muitas batalhas. Movi-me, para passar o peso de uma perna para a outra e os meus sapatos fizeram barulho, rilhando a gravilha no piso de cimento cinzento, rival das paredes em sujidade. O gato levantou a cabeça e olhou para mim. No lugar do olho esquerdo, um enorme buraco preto, sujo de sangue ressequido, fitava-me. Miou. Levantou-se. Espreguiçou-se. Miou. Deitou-se. Enroscou-se de novo e fechou o único olho. Provavelmente adormeceu. Virei-lhe as costas. Continuava a segurar a minha pastosa.

À minha frente, um comprido cais de madeira avançava pelo mar dentro. Não lhe via o fim. Perdia-se no nevoeiro. Segurei com mais força a alça da pasta. Um pouco aquém do cais e a um dos lados um velho, vestido com um fato de palhaço e uma horrível gravata bege, estava sentado numa cadeira de praia. Uma cadeira de lona queimada pelo sol, sobre um quadrado de alcatifa azul-escura. Dirigi-me a ele com cuidado, procurando não pisar nenhum dos lagartos verdes que se espreguiçavam na alcatifa. Cumprimentámo-nos. Abri a pasta e tirei para fora o trabalho. Claro que o aprovou sem qualquer discussão ou hesitação. Despedimo-nos e afastei-me dele.

Avancei para o cais. As travessas de madeira, húmidas, envelhecidas pelo tempo, gemiam sob os meus pés a cada passo que dava. Passos lentos mas seguros. Embrenhei-me na neblina. Olhei ao meu redor. Além do branco daquele manto que me envolvia nada mais estava ao meu alcance. Atingi o fim do cais. Terminava numa parede de tijolo vermelho, assim como o mar. Este, ondulante beijava suavemente a parede, num lascivo sobe e desce. Olhei em frente. Exactamente onde o pontal de madeira penetrava a parede, uma porta de elevador. Carreguei o botão de chamada, que se iluminou de imediato. Esperei pouco.

De novo com um plim, o elevador surgiu. Abri a porta e entrei. Os mesmos espelhos. Pressionei o botão correspondente ao rés-do-chão e o elevador arrancou, num sussurro. Olhei para a minha mão. Firmemente segurava a pasta. Suavemente, o elevador desacelerou e imobilizou-se na saída. Abri a porta e saí. Tive de me desviar pois o cão castanho dirigia-se ao elevador no qual entrou. Deu-me as boas-tardes ao passar por mim. Armei em importante e não lhe respondi. Ouvi o elevador arrancar. Dirigi-me à saída do prédio. As portas de vidro abriram-se à minha passagem. O calor tórrido da rua envolveu-me. Soprei. O meu volks estava no mesmo sítio. Caminhei até ele, abri a porta e atirei a pasta para cima do banco traseiro. Entrei. Baixei o vidro da janela. Coloquei a chave na ignição e pus o motor a trabalhar.

Arranquei. Tomei o caminho da marginal. Eram talvez cinco da tarde e eu sem almoçar. Dirigi-me à esplanada do costume, junto à praia. Lá sempre poderia comer uma sandes ou um cachorro acompanhado de uma cola, porque almoçar a esta hora já não valia a pena.
Estacionei o volks e fui comer o tal cachorro com vista para o mar. Eram quatro da manhã quando fui para casa.

quinta-feira, outubro 14, 2004

mosca


A sala estava mergulhada numa semi-obscuridade outonal de fim de tarde, a escorrer líquida pelas paredes rugosas do apartamento suburbano.
Era um daqueles dias de Outubro em que se começa a sentir o cheiro da chuva e o odor do vento nas folhas tropeçadas da berma da estrada.
Tinha-se abandonado nas almofadas do sofá, como um boneco de trapos displicente.
O cachorro dormitava ao seu lado, num claro sinal abusador de bicho que se sabe protegido e apaparicado.
Estava de tal forma distraído, de olhos pregados no reallity-show, telecomando adormecido na mão, que não se apercebeu de nada.

A mosquita aproximou-se da sua cabeça, volteou duas ou três vezes no ar e rapidamente entrou-lhe por um ouvido. Casualmente o esquerdo. Para ela era indiferente.
Deu umas quantas voltas esvoaçando na escuridão opressiva do interior do crâneo, batendo assustada contra as duras paredes deste, e saiu pelo outro ouvido, tocando ligeiramente com a ponta da asa num naco de cerume e afastando-se rapidamente na direcção da cozinha e do apelativo caixote do lixo.

O cachorro emitiu um pequeno gemido, sinal de que sonhava.

terça-feira, outubro 12, 2004

comentando um... cu-mentário


O comentário citado está no post abaixo deste e que tem por título "sebo e choco".

cito:
Meu Deus, o neo-realismo regressou a este pais miserável? Dei uma vista de olhos pelo seu blogue, que em termos gerais achei pomposo, petulante a banal. Não há nada que me aborreça mais do que os lugares-comuns de um filósofo suburbano. Quanto a esta história, que posso dizer? Se lhe juntar mais duzentas páginas, talvez seja publicado pela Oficina do Livro, ao lado da Rebelo Pinto e de outro desconhecido tão ilustre como você.

Os meus relutantes cumprimentos,

Vermeer33

--
Posted by madre to caracol carolas at 10/11/2004 07:05:52 PM


Pois...
Vermeer, pela sua conversa, duvido que volte cá e que leia isto, mas:

'Madre' !?
Será a 'madre' Teresa? Não acredito. O coração dela era muito mais infinito e tolerante que o seu.
E menos 'fascizóide', imagine!

O seu discurso soa-me a conversa de fêmea comuna ressabiada com foice a mais e martelo a menos ou então de paneleiro não assumido (talvez você seja psiquiatra ou ministro). Desculpe s'ofendi...

Pois é, meu caro Vermeer33 (quem quer que seja, que se esconde num cobarde anonimato).
Não me surpreende o regresso do neo-realismo a este país miserável (eu gosto mais de dizer 'país de merda'). É em países assim que ele busca a matéria-prima de que se alimenta. E Portugal é um cadinho de eleição para explorar. Afinal, é um país de 'imbecis governado por incompetentes".
Agora, eu ser neo-realista!? Ah, ah, ah! Não percebeu nada, seu estúpido! (sem ofensa.)

No resto, não me revejo na crítica. Acho-a espúria. Apenas acho que se está aborrecido, tem bom remédio: FUCK YOU, HASS HOLE!

Quanto à sua sugestão de publicação, até que me parece interessante (agradeço). Ainda não tinha pensado nisso. Era uma forma de resolver os meus problemas económicos. Se tiver o contacto, mande-mo, S.F.F. Vê-se por aí tanta gente a ganhar dinheiro escrevendo as maiores merdas, porque não hei-de eu aproveitar a onda? Eu sei porquê. Porque sou estúpido.

Sem relutância alguma, melhores cumprimentos,

josé antónio (ne-realista, pomposo, petulante, banal e filósofo suburbano — according to Vermeer33.)

sábado, outubro 09, 2004

sebo e choco


Tentou por todos os meios convencê-lo. Afinal estavam juntos já há tanto tempo, cerca de duas semanas, que até parecia mal não o fazerem. Todos os vizinhos das barracas à volta o faziam, que as vizinhas bem lhe contavam. Contavam-lhe e perguntavam-lhe como era com ela e o gajo. Começou até a sentir vergonha!

Insinuou-se de todas as formas e feitios. Cozinhou-lhe os petiscos que ele adorava para o seduzir, mas não houve meio. Cozinhou-lhe, é uma maneira de dizer. Mandava os putos roubarem latas de polvo de caldeirada ou atum de escabeche no Pingo Doce. Afinal, é para isso que uma gaja tem filhos, para sustentarem a família.
Mesmo à noite, após a janta, depois de ele já ter bebido duas garrafas de vinho, mesmo quando ele demonstrava uma forte apetência e excitação, mesmo quando consumavam o acto, nada.

Chegou até a lavar-se. Tirou as badalhocas do cu, pensava que fosse por isso. Gastou quase meia barra de sabão-macaco para se esfregar, mas não. Nem assim o convenceu.
E ela sabia que ele tinha razão.

Porque, depois da lavagem, passou a mão e sentiu a razão da queixa dele para se recusar a praticá-lo. Ela tinha efectivamente aquele típico cheiro a sebo retardado misturado com cheiro a choco frito entranhado nas virilhas.
Desistiu. E um dia morreu. Sem nunca ter conhecido o prazer do cunnilingus!

Talvez por nunca se ter cruzado com um tipo, que não conheço, mas de quem um amigo meu me falava há dias...

terça-feira, outubro 05, 2004

ciao bambino


Soube hoje pelos noticiários, como tanta gente, que o Carlos Carvalhas vai deixar o cargo de Secretário-Geral do PCP.

Não é nada que não se esperasse já. A contestação era grande. E não só dos 'corajosos-expulsos' que tiveram a 'ousadia' de apresentar uma moção a pedir um congresso extraordinário. Sentia-se essa desilusão e contestação no discurso do comum militante, simpatizante, apoiante, ou mero amigo do partido.

Apenas escrevo para dizer que vejo uma grande maioria, comovida mas optimista, a acenar os lenços brancos, ao mesmo tempo que entoa "ciao, ciao bambino"... e uma pequeníssima minoria fungosa, de tacha arreganhada, a cantar "tenho uma lágrima no canto do olho, tenho uma lágrima no canto do olho"...

LIVRAI-VOS DE CUSPIR CONTRA O VENTO (ZARATUSTRA)

segunda-feira, outubro 04, 2004

amigos, amigos...


Aquele gajo, ou gaja?, dá-me vómitos.

Se tivesse um amigo assim enchia-lhe aquela tromba paneleira de porrada. Pegava numa cachaporra e arrebentava-lhe com os cornos!

Deve ser por isto que ele não é, nem nunca será, meu amigo... AINDA BEM!!!

a hora


Boas ou más, há horas para tudo e, para cada coisa, a sua hora. E a hora sempre chega.

Sabas tião estava concentrado no seu trabalhinho. De tal forma, que nem deu pelo passar das horas e como a tarde ia avançada. Olhava fixamente o ecrã do computador onde preparava uma prosa para sair, por algum lado, no dia seguinte. Os seus olhos pareciam duas esferas globulares de gelo duro, imóveis e brilhantes. As suas mãos sapudas corriam o teclado velozmente, como ratos num celeiro cheio de sacos de cereal.
Ao seu lado, as suas duas navalheiras de estimação dançavam uma versão pós-moderna d'o lago dos cisnes, dentro do enorme aquário de acrílico rosa-pálido. Enquanto isso, sentada numa espreguiçadeira a um canto, uma gigantesca carocha argentina mulata, tanguista, bordava a ponto-cruz uma bela reprodução do busto da república, checa. E a tarde continuava a avançar e sabas tião a tricotar.
Repentinamente, despertou daquela espécie de hipnose fixista. Sentiu algo de indefinido que o fez parar e encostar-se para trás na cadeira e retirar as mãos do teclado. Era como uma febre, mas sem temperatura. Ou como umas cócegas, mas sem comichão. Olhou o tecto, sujo de cagadelas de mosca, do vinagre, na esperança de conseguir perceber o que o tinha acordado da sua importantemente inútil tarefa. Procurou sentir o seu próprio corpo. Não, não sentia nada de estranho, nenhuma dor nem nada assim. Mergulhou na memória. Não, nada emergia, nenhuma lembrança, nada programado para fazer. Que raio lhe teria acontecido?
Então, um ataque de tremuras acometeu-o, e começou a tremer violenta e descontroladamente como um picapau epiléptico. Deu um grito terrível que assustou as passageiras do autocarro, que saltaram pelas janelas, levantou-se num rápido pulo, e desatou a correr desenfreadamente, dando enormes saltos como um gafanhoto histérico. Entrou desabrido pelo snack-bar adentro, parou ao balcão, respirou fundo três vezes, e pediu... pediu uma bola de berlim com creme, que devorou em duas dentadas.

Tinha chegado a hora da bola de berlim com creme!

quarta-feira, setembro 29, 2004

finalmente, a paz...


Hoje recebi uma chamada da minha mulher, dizendo que já tinham saído as colocações, e pedindo-me para consultar o site na net.
De imediato, assim fiz, claro! Telefonei-lhe e informei-a do resultado, positivo, da consulta.

Senti que uma nuvem de ansiedade, stress e preocupação, que durava há vários meses, se dissipava soprada para longe pelos ventos da bonança.
A paz instalou-se cá em casa (acho que até o gato deu por isso).

Até ao próximo ano...

segunda-feira, setembro 27, 2004

cicuta com acompanhamento à guitarra


O PS o quê? Ganhou quem? Onde raio pus o frasco de cicuta que 'inda agora tinha aqui?

oh guitarra, guitarrinha,
oh guitarrra, aquece aquece,
oh guitarra, guitarrinha,
que o ppd agradece.

«Entities should not be multiplied unnecessarily.» William of Occam, "Quodlibeta Septem"

sexta-feira, setembro 24, 2004

apetece-me matar alguém...


Sou rigorosamente contra a pena de morte. Acredito num direito inalienável à VIDA.
Mas também sei que existem criminosos 'inviáveis' (a sua recuperação é impossível; p.ex. os psicopatas). Deixá-los à solta nem pensar. Quanto ao perdão, este também tem limite...
Por isso, proponho em alternativa à pena de morte a prisão perpétua. Eu sei, somos nós que pagamos... mas temos que assumir a nossa própria natureza e civilização; a nosssa moral/ética; não se paga um crime com outro crime.
Contudo, há alturas em que a emoção esmaga a razão.
A provar-se que aqueles dois, de facto mataram a garota por uns trocos...

Confesso: A minha vontade era estrangulá-los com as minhas próprias mãos!
Isto se sobrevivessem, depois de os ter escortanhado com uma navalha de barbear, regado com gasolina, puxado fogo, espezinhado com uma manada de Miuras (bois de 600Kg.) em fúria, arrancado os olhos com um anzol de pesca ao espadarte, obrigado a engolir um kg. de pioneses, e etc. (aceitam-se sugestões)...

"O coração tem razões que a razão desconhece."

quarta-feira, setembro 22, 2004

semana PUTA...


Faz tempo que não passo por aqui.
É que de vez em quando o trabalho aperta, e o tempo escapa-se por entre os dedos como água pelo ralo do lavatório.
E nestes últimos dias têm sido tantas as questões a pedir um post...

Só para citar aquelas que melhor recordo:

dia 11
Uma familiar minha, em passeio no norte, sofreu uma queda, tendo sido transportada ao hospital de Braga.
Até aqui tudo bem, não fora tratar-se de pessoa que sofre de osteoporose, diabetes, tem uma prótese de anca, não tem vesícula, tem colesterol elevado, sofre de obesidade e mais algumas coisitas, além de ter 68 anos de idade.
A queda foi violenta, de costas e de uma altura de cerca de 1,5m., o sangue era abundante, as queixas eram muitas, e no hospital a única coisa que fizeram foi coser a cabeça, 10 pontos, e fazer 2 ou 3 rx ao tronco, em que não detectaram nada; nem um rx ao crâneo fizeram — estou a falar de uma pessoa de certa idade e com osteoporose e diabetes, caramba!
Regressada, 2 dias depois deslocou-se ao hospital do SAMS em Lisboa, onde o médico 'analisou' as radiografias, fez apalpação do tronco e também não detectou nada!
1 semana passou e não havia melhoras. Numa deslocação à médica dela, esta escandalizou-se com a ausência de rx ao crâneo, e apelidou os colegas de 'cegos', visto que num simples olhar das radiografias imediatamente detectou 2 costelas partidas, e a hipótese de mais uma ou outra numa zona escura!
2 hospitais, 3 médicos, uma catrefada de medicamentos desadequados, 1 semana de sofrimento...

dia 16
Faleceu o pai de um amigo meu. À medida que a idade vai passando, estas coisas vão-se tornando cada vez mais frequentes. Coisas assim já aconteceram a todos nós, certamente.
Mas este não foi um caso qualquer. Era o pai de um amigo especial e, por isso, era um pai especial. Era alguém por quem eu tinha um certo carinho.
Os problemas de saúde duravam há alguns anos, operações, transfusões, etc., e eu esperava um dia destes conseguir visitá-lo na casa dele para lhe dar um abraço. Nunca surgiu a oportunidade. Fica aqui o meu abraço ao Mário Peres.

dia 20
Deviam ter saído as listas com as colocações dos professores. Não saíram. E só Deus sabe a angústia e a dor que tem pairado nesta casa desde esse dia.
Horas e horas em frente ao computador a tentar entrar no site — a entrar sim, mas pela madrugada dentro — e aquela maldita mensagem 'devido ao elevado número de acessos ... impossível, por favor tente mais tarde', ou simplesmente o NADA. O ZERO absoluto. A ausência de informação. A ausência de listas. A presença das incompetências!

Porra, tem sido uma semana PUTA!

sábado, setembro 11, 2004

WTC - 3 anos


Faz hoje exactamente 3 anos.

As torres foram com os porcos e com elas milhares de seres humanos viram chegada a hora do último respirar.

O Bin Laden/Al Qaeda foram acusados (e disseram 'YES! Fomos a gente' lá naquela língua de trapos que eles falam).

O Bush armou-se em cowboy.

Juntaram uma 'posse' para caçar o vilão (a qualquer preço; afinal, tratava-se apenas de VINGANÇA...)

O Afeganistão foi invadido, milhares de civis inocentes foram massacrados. O Bin não foi encontrado.

O Iraque foi invadido, milhares de civis inocentes foram massacrados. O Bin não foi encontrado.

3 anos depois ninguém sabe (ou não quer saber, que a máquina de guerra rende muitos dólares...) onde para o Bin Laden.

Este goza que nem um porco com a estupidez dos yankees (que embandeiraram em arco por terem apanhado o Saddam, que nem tinha nada a ver com o filme.)

Cheira-me que...

Outras 'torres' ainda vão cair.

um homem não é de pau


Há pouco dei comigo a olhar para a chavala e a pensar:
— Foda-se, cada vez gosto menos desta gaja. Só me apetece fodê-la!... :)

domingo, setembro 05, 2004

GAITEIROS 2


Prometi, cumpri, NÃO ME ARREPENDI !!!

Estive lá, e tal como eu esperava, quando começaram a tocar, o mundo esfumou-se à minha volta. Estavam só eles e eu. Aquele som vibrou dentro de mim como o bater dum coração cadenciado a alimentar um espírito sedento de emoções, sensações e paixões. Aisthetiké em estado puro.

Anseio pela próxima oportunidade...

sexta-feira, setembro 03, 2004

GAITEIROS


amanhã, sábado, vou lá estar, ai vou, vou!

vou confirmar alive a emoção e o fascínio que sinto ao ouvi-los em disco.

GAITEIROS DE LISBOA - 19h. Festa do Avante, Quinta da Atalaia, Seixal.

quarta-feira, setembro 01, 2004

back to office, buaaaaa...


Pois é...

Ainda ontem à noite regressei e já 'tou com saudades:

Dos passeios nocturnos e refrescantes no Paseo Maritimo ao longo da playa, acompanhado apenas pelo fretenir das cigarras; do português-suave fumado em noite de pouco sono na Terraza com vista para las estrellas e para el mar; das Ensaladas Mistas, do Choco Frito, das Puntillitas, Chipirones e Boquerones no Simon ou no Nuevo Simon da Punta del Moral; do pôr-do-sol em terras de Portugal por sobre a Marina de Isla Canela, pejada de altivos mastros, a sonharem tocar el viento; das copas de Cerveza às 3 da madrugada no Sugar Reef, frente à ria, com El Faro ao longe, a ver passar as traineiras, e a falar do mar e das correntes que empurram para a solidão; e, sobretudo, do Arroz A Marinera no Chiringuito de Antonio (fundado por um português em 1970). RECOMENDO-O!
Até do anúncio da Coca-Cola Light 'Pitrra, Pitrrae.. Dios Eleva Tu Spiritu' na TV2-Andalucia, repetido ad infinitum pelo Diogo, sinto saudade.

De que lado sopra o vento?

quarta-feira, agosto 18, 2004

Pausa (coffee break)


Pois é...
Chegou finalmente a minha vez. Há 2 anos sem ter férias, dignas do nome, sábados, domingos, feriados, a trabalhar TODOS os dias, às vezes 14 e 15 horas por dia...

Parto dia 20 e espero voltar apenas dia 31 de Agosto. O Mac vai ficar em casa, também ele a repousar (mais ou menos; instruí o Pasoca para ver os mails todos os dias e se houver alguma coisa urgente enviar-me um sms).
Costa Vicentina, Algarve, Andalucia...

Inté!

BALIZA ASSASSINA, PROCURA-SE!


AVISO À POPULAÇÃO:

A pu-li-cia procura 'BALIZA ASSASSINA'!

Tem uma estatura mediana e normalmente veste-se de branco, branco e preto às listas ou cinzento-metálico. Por vezes veste castanho-ferrugem.

Costuma ser vista a rondar recintos desportivos, abandonados pelos proprietários, pelas juntas de freguesia e pelas câmaras municipais.

Esta 'serial killer' é responsável pelo assassinato de vários menores e adolescentes, e tentativas frustradas em diversos outros.

Anda armada, com ferros, e é extremamente perigosa.
Qualquer contacto deve ser evitado, devendo a pu-li-cia ser imediatamente notificada através do tel. 000 (chamada gratuita).

(É inútil apurar responsabilidades. Ninguém as assume...)

domingo, agosto 08, 2004

colturas, ou 'o fado é que induca e o vinho é que instrói'


dizia anteontem, muito animadamente cheia de animação, a animadora do R.C.P.: ... os alemães são os maiores bebedores ... um estudo ... perguntaram ... porque é que bebem as pessoas? ... a maioria respondeu 'para se embebedarem' ... !

português: bebo para apreciar a bebida, fico bêbedo porque bebo!
alemão: bebo para ficar bêbedo...

In vino veritas

terça-feira, agosto 03, 2004

outra segunda-feira...


É como eu sempre digo. As segundas-feiras têm qualquer coisa de sinistro. Por isso, quando ainda tinha carro e conseguia conduzir, nunca viajava à segunda-feira. Sempre guardei a ida para férias, para terça ou quarta, ou qualquer outro dia.
Acho que as segundas são geridas, quiçá todos os dias o são, pela Grande Roda do Destino, por Yin-Yang, por Shiva, Buda, Maomé, ou a Puta-Que-Pariu. E por isso são particularmente atraentes para o azar.
Hoje, para variar, não foi excepção, uma vez mais.

Assisti na SIC, à hora de almoço, à derrocada do prédio de Campo de Ourique. Ao ver aquelas imagens pareceu-me estar a assistir a um '11 de Setembro' à portuguesa! Populares, bombeiros e polícias a correrem pela rua, perseguidos por uma imensa e rápida nuvem a ameaçar tragá-los, como gigante saído dum pesadelo.
As grandes diferenças que notei, além da dimensão do prédio, minúsculo ao lado das out-for-lunch Twin Towers, foram a nuvem do onze ser cinza-betão e esta castanha-alvenaria-mediterrânica-lisboeta; e também o tempo de divulgação do nome do terrorista, que nas gémeas demorou alguns dias, mas que neste caso é antecipadamente conhecido de todos: Pedro Santana Lopes...

"Saber para prever, prever para prover." Augusto Comte