Acho que nunca tinha gritado GANHÁMOS tão alto na minha vida.
Aquele tiro do Ricardo nunca mais vai sair da minha memória.
VIVA PORTUGAL!!!
sexta-feira, junho 25, 2004
segunda-feira, junho 14, 2004
hoje
O amanhã de ontem é o ontem de amanhã.
O ontem não existe. Nunca existiu. O amanhã não existe. Nunca existirá.
Ontem e amanhã são apenas os nomes que damos à barreira que nos separa da eternidade. São apenas uma ilusão. Uma ilusão que inventámos para conseguirmos suportar e conviver com a nossa incompetência. A incompetência que manifestamos em permanecermos na plenitude do tempo sem princípio nem fim. Do tempo sem tempo, que não é tempo.
O tempo não existe. Só existe o presente. Só existe o hoje, o aqui e o agora. E por isso temos que o viver sem pressas e sem atritos ou ressentimentos. Não há para onde ir. Só há o permanecer, o estar e o ser.
Para quê a pressa? Pressa de quê? De chegar ao nada?
O ontem não existe. Nunca existiu. O amanhã não existe. Nunca existirá.
Ontem e amanhã são apenas os nomes que damos à barreira que nos separa da eternidade. São apenas uma ilusão. Uma ilusão que inventámos para conseguirmos suportar e conviver com a nossa incompetência. A incompetência que manifestamos em permanecermos na plenitude do tempo sem princípio nem fim. Do tempo sem tempo, que não é tempo.
O tempo não existe. Só existe o presente. Só existe o hoje, o aqui e o agora. E por isso temos que o viver sem pressas e sem atritos ou ressentimentos. Não há para onde ir. Só há o permanecer, o estar e o ser.
Para quê a pressa? Pressa de quê? De chegar ao nada?
sexta-feira, junho 11, 2004
VIVA !!!
VIVA !!! Estou eufórico ! A minha pensão de reforma por invalidez foi AUMENTADA !
Fui agora mesmo ver o meu saldo e lá está, preto no branco, o crédito do CNP com o AL-MIJADO aumento. Querem saber quanto ? 'Tá, eu digo: 4,55 Euros. Isso, QUATRO EUROS E CINQUENTA E CINCO CÊNTIMOS. Nem sei o que hei-de fazer com tanto guito...
Talvez ir à feira de gado comprar uma VACA LEITEIRA.
E depois convido a malta do governo para virem cá fazer o que eles sabem fazer melhor: mamar na teta da vaca...
Não, talvez seja melhor pagar a um Fisioterapeuta, que bem preciso. Como levam p'rai uns 30 euros/hora, e nem é muito, 4,55... deixa-me cá fazer as contas... digamos 5 ... se não me falham os cálculos posso pagar uns 10 minutos de Fisioterapia por mês. Num mês de 4 semanas dá para 2,5 minutos por semana. Bem bom ! Entretanto vou ali à procura duma lâmina de barbear para cortar os pulsos e já volto. Com licença.
Fui agora mesmo ver o meu saldo e lá está, preto no branco, o crédito do CNP com o AL-MIJADO aumento. Querem saber quanto ? 'Tá, eu digo: 4,55 Euros. Isso, QUATRO EUROS E CINQUENTA E CINCO CÊNTIMOS. Nem sei o que hei-de fazer com tanto guito...
Talvez ir à feira de gado comprar uma VACA LEITEIRA.
E depois convido a malta do governo para virem cá fazer o que eles sabem fazer melhor: mamar na teta da vaca...
Não, talvez seja melhor pagar a um Fisioterapeuta, que bem preciso. Como levam p'rai uns 30 euros/hora, e nem é muito, 4,55... deixa-me cá fazer as contas... digamos 5 ... se não me falham os cálculos posso pagar uns 10 minutos de Fisioterapia por mês. Num mês de 4 semanas dá para 2,5 minutos por semana. Bem bom ! Entretanto vou ali à procura duma lâmina de barbear para cortar os pulsos e já volto. Com licença.
terça-feira, junho 08, 2004
elegia
Soube ontem pela manhã. A notícia agrediu-me como uma pedrada, mas sem me surpreender.
A Guida suicidou-se.
Cerca de 36 anos, uma bébe com 3 e, provavelmente um vazio tão infinito que nada era capaz de preencher.
Apenas me ocorreu: a vida é tão insignificante que vale a pena procurar algo pelo qual mereça a pena lutar. A morte é tão certa que apenas basta esperar por ela. Não vale a pena procurá-la, ela acabará por vir, mais cedo ou mais tarde.
A felicidade está dentro de nós. E é no nosso interior que a temos que buscar. Pode ser-se feliz com pouco ou infeliz tendo quase tudo. 'O dinheiro não dá a felicidade mas ajuda' é apenas um mito moderno, uma aldrabice inventada pela burguesia para justificar a luxúria.
É preciso não deixar o vazio crescer e infinitizar-se. É urgente preenchê-lo com algo que dê razão de viver.
Remando contra a maré que é o mundo pós-moderno que com os seus mitos e falsos ídolos insufla o vazio no espírito das pessoas.
A Guida suicidou-se.
A Guida suicidou-se.
Cerca de 36 anos, uma bébe com 3 e, provavelmente um vazio tão infinito que nada era capaz de preencher.
Apenas me ocorreu: a vida é tão insignificante que vale a pena procurar algo pelo qual mereça a pena lutar. A morte é tão certa que apenas basta esperar por ela. Não vale a pena procurá-la, ela acabará por vir, mais cedo ou mais tarde.
A felicidade está dentro de nós. E é no nosso interior que a temos que buscar. Pode ser-se feliz com pouco ou infeliz tendo quase tudo. 'O dinheiro não dá a felicidade mas ajuda' é apenas um mito moderno, uma aldrabice inventada pela burguesia para justificar a luxúria.
É preciso não deixar o vazio crescer e infinitizar-se. É urgente preenchê-lo com algo que dê razão de viver.
Remando contra a maré que é o mundo pós-moderno que com os seus mitos e falsos ídolos insufla o vazio no espírito das pessoas.
A Guida suicidou-se.
terça-feira, maio 25, 2004
alucinação
Quais os critérios que me permitem distinguir uma ilusão duma alucinação?
Julgo-me num café em Oeiras.
Olho à volta e vejo o snack, o balcão, as mesas e as cadeiras, a torneira de imperial, a televisão, o mata-moscas eléctrico, as pessoas que cá estão.
Sobretudo reparo nas pessoas.
Umas bebem, outras mastigam, outra fumam.
Como posso saber que não estou na superfície da Lua e que estas pessoas que vejo não são na verdade selenitas com corpos-e-espíritos-lagosta, que me rodeiam, e que é uma substância que existe na 'atmosfera' lunar que me faz vê-las como seres humanos?
E que me faz ver uma rocha cinzenta como um balcão e outras rochas como uma cadeira em que me sento e uma mesa na qual apoio um caderno/rocha em que escrevo com a caneta/cratera em letras/poeira?
Como posso estar seguro de que amanhã não vou acordar, olhar o meu reflexo na superfície vidrada da rocha fundida pela explosão atómica e ver os meus tentáculos e pinças, rubros do sol, agitarem-se descontrolados e histéricos ante a revelação de que Deus não existe?
Como posso ter a certeza de que a dor no cú, do hemorroidal vitimado pelas azeitonas d'Elvas, não é afinal a pressão das ovas a quererem ejacular um grito de liberdade?
Talvez sejamos apenas umas reles lagostas selenitas na desova e alucinadas, porra!
O que explicaria muita coisa...
Julgo-me num café em Oeiras.
Olho à volta e vejo o snack, o balcão, as mesas e as cadeiras, a torneira de imperial, a televisão, o mata-moscas eléctrico, as pessoas que cá estão.
Sobretudo reparo nas pessoas.
Umas bebem, outras mastigam, outra fumam.
Como posso saber que não estou na superfície da Lua e que estas pessoas que vejo não são na verdade selenitas com corpos-e-espíritos-lagosta, que me rodeiam, e que é uma substância que existe na 'atmosfera' lunar que me faz vê-las como seres humanos?
E que me faz ver uma rocha cinzenta como um balcão e outras rochas como uma cadeira em que me sento e uma mesa na qual apoio um caderno/rocha em que escrevo com a caneta/cratera em letras/poeira?
Como posso estar seguro de que amanhã não vou acordar, olhar o meu reflexo na superfície vidrada da rocha fundida pela explosão atómica e ver os meus tentáculos e pinças, rubros do sol, agitarem-se descontrolados e histéricos ante a revelação de que Deus não existe?
Como posso ter a certeza de que a dor no cú, do hemorroidal vitimado pelas azeitonas d'Elvas, não é afinal a pressão das ovas a quererem ejacular um grito de liberdade?
Talvez sejamos apenas umas reles lagostas selenitas na desova e alucinadas, porra!
O que explicaria muita coisa...
anónimo
Estava eu postado em sossego ao balcão do Sólarika, a beber uma fresquíssima imperial, quando de mim se acercou um indivíduo, rapaz novo de olhar acutilante e camisa de manga curta, que trazia estampado no rosto o nome Karl. Não falou, não me dirigiu palavra, apenas colocou à minha frente sobre o balcão uma folha A4 com um texto impresso. Olhei curiosamente o papel e quando olhei para o lado, ele tinha desaparecido.
Senti, após ler o texto, que o mesmo me tinha sido entregue com um objectivo bem definido: a sua divulgação. E se ele merece ser lido...
É esse texto que aquele Karl 'anónimo' me entregou que aqui reproduzo:
Como Começou a Filosofia
Estava Sócrates ensinando no Parténon, representando o papel de sua mãe, e perguntou a todos seus alunos e discípulos: "Como começou a filosofia?" Ao que Nietzsche respondeu: "Foi com Tales, torna-te o que és!" Ora Kant que sabia de matemática, apoiado por Heidegger, sintetizou: "Foi com Tales, e o seu teorema!" Mas Heidegger importuno reivindicou um pequeno áparte a Nietzsche em surdina: "Mas Tales caiu num poço à procura do que considerava ser O Princípio Supremo de Todas as Coisas," O contínuo que apagava a cera do quadro riu-se e, no papel da criada de Tales, comentou: "Nem viu a Verdade à frente dos olhos," Mas Nietzsche que estava Para Além do Bem e do Mal, com seu sorriso de maioral, reiterou: "Torna-te o que és!" Pelo que Sócrates, a quem o saber incomodava, resolveu pô-lo fora da aula; a Kant, que falava em sínteses estéticas, num canto da aula cheio de imaginação, com umas orelhas de burro; e a Heidegger a varrer o chão do estrado, cheio de poeira metafísica, o que não agradou aos outros três alunos: Descartes, Platão e Wittgenstein. Pelo que ao chegar um aluno que se tinha atrasado, se fez coro: "Todos perguntam pela Filosofia, e ei-la! Santo Agostinho!" Sócrates que nutria uma especial ternura pela Cidade de Deus, logo comentou: "A Verdade! A Verdade! Ei-la que chegou!" Mas Descartes sentiu ciúmes e bichanando a Platão e Wittgenstein: "Querem ver que o mandrião ainda nos leva a Sabedoria?" E claro, como ainda não se tinha inventado a realidade virtual, pronta e sideralmente foi projectada a Verdade; Santo Agostinho resolveu explicar o motivo do atraso: "Prendi-me a Roma, sou um romano, que querem? A boneca era bonita, mesmo muito bonita! Ali na montra… Sabem… Compreendem?..." Sócrates raso e quase a chorar acolheu-o no seu manto e enxugou-lhe as lágrimas; segredando-lhe: "Larga essa cambada de maricas; apalpa aqui as mamas e confessa-me mesmo por onde andaste." O que fez aumentar a tensão na aula; Wittgenstein, Descartes e Platão foram escrever métodos de aferição da Verdade; Nietzsche acabou perdido num lupanar, e Kant continuou de castigo, enquanto Santo Agostinho foi salvo por intervenção directa de Sócrates junto do Parténon. Conta-se que nessa noite, à luz das estrelas, Sócrates chorava e Santo Agostinho suava, até porque fazia calor, redescobrindo ambos como começou a filosofia: Sócrates exortando: "Apalpa-me o cú fundo!"; e Santo Agostinho confessando: "Ai que me afogo! Ai que me afogo!"
ass.: Anónimo.
Senti, após ler o texto, que o mesmo me tinha sido entregue com um objectivo bem definido: a sua divulgação. E se ele merece ser lido...
É esse texto que aquele Karl 'anónimo' me entregou que aqui reproduzo:
Como Começou a Filosofia
Estava Sócrates ensinando no Parténon, representando o papel de sua mãe, e perguntou a todos seus alunos e discípulos: "Como começou a filosofia?" Ao que Nietzsche respondeu: "Foi com Tales, torna-te o que és!" Ora Kant que sabia de matemática, apoiado por Heidegger, sintetizou: "Foi com Tales, e o seu teorema!" Mas Heidegger importuno reivindicou um pequeno áparte a Nietzsche em surdina: "Mas Tales caiu num poço à procura do que considerava ser O Princípio Supremo de Todas as Coisas," O contínuo que apagava a cera do quadro riu-se e, no papel da criada de Tales, comentou: "Nem viu a Verdade à frente dos olhos," Mas Nietzsche que estava Para Além do Bem e do Mal, com seu sorriso de maioral, reiterou: "Torna-te o que és!" Pelo que Sócrates, a quem o saber incomodava, resolveu pô-lo fora da aula; a Kant, que falava em sínteses estéticas, num canto da aula cheio de imaginação, com umas orelhas de burro; e a Heidegger a varrer o chão do estrado, cheio de poeira metafísica, o que não agradou aos outros três alunos: Descartes, Platão e Wittgenstein. Pelo que ao chegar um aluno que se tinha atrasado, se fez coro: "Todos perguntam pela Filosofia, e ei-la! Santo Agostinho!" Sócrates que nutria uma especial ternura pela Cidade de Deus, logo comentou: "A Verdade! A Verdade! Ei-la que chegou!" Mas Descartes sentiu ciúmes e bichanando a Platão e Wittgenstein: "Querem ver que o mandrião ainda nos leva a Sabedoria?" E claro, como ainda não se tinha inventado a realidade virtual, pronta e sideralmente foi projectada a Verdade; Santo Agostinho resolveu explicar o motivo do atraso: "Prendi-me a Roma, sou um romano, que querem? A boneca era bonita, mesmo muito bonita! Ali na montra… Sabem… Compreendem?..." Sócrates raso e quase a chorar acolheu-o no seu manto e enxugou-lhe as lágrimas; segredando-lhe: "Larga essa cambada de maricas; apalpa aqui as mamas e confessa-me mesmo por onde andaste." O que fez aumentar a tensão na aula; Wittgenstein, Descartes e Platão foram escrever métodos de aferição da Verdade; Nietzsche acabou perdido num lupanar, e Kant continuou de castigo, enquanto Santo Agostinho foi salvo por intervenção directa de Sócrates junto do Parténon. Conta-se que nessa noite, à luz das estrelas, Sócrates chorava e Santo Agostinho suava, até porque fazia calor, redescobrindo ambos como começou a filosofia: Sócrates exortando: "Apalpa-me o cú fundo!"; e Santo Agostinho confessando: "Ai que me afogo! Ai que me afogo!"
ass.: Anónimo.
hábito
O homem é um animal de hábitos.
Sobretudo de maus hábitos...
É difícil ganhar os bons hábitos. É fácil perder os bons hábitos. É fácil ganhar os maus hábitos. É difícil perder os maus hábitos.
E será mesmo verdade que o hábito faz o monge? Ou será o monge quem faz o hábito? E quem tem um hábito é necessariamente monge? A ser assim, como o homem é um animal de habitos, o homem é inevitavelmente um monge:
Ele tinha um hábito.
Um tanto ou quanto invulgar, é certo, mas na verdade nada de paranóico ou doentio.
Era um hábito incomum mas inofensivo. Tinha o hábito de arrancar um pêlo que lhe crescia de tempos em tempos no orifício da orelha direita, com as unhas em pinça do médio e do polegar.
Mas não era apenas isto. Fazia-o sempre e imediatamente antes de tomar uma bica. E só antes de tomar uma bica.
O hábito não se estendia a nenhuma outra ocasião diurna, nocturna ou de lusco-fusco. Os elementos comuns eram o pêlo na orelha e a bica.
Onde quer que estivesse, com quem estivesse, quando quer que fosse. E se bebesse 8 bicas num dia fazia-o 8 vezes, uma por cada bica (o pêlo era de crescimento acelerado, efeito da toma de vitaminas soviéticas, reminiscências quinquenais estalinistas...)
O hábito tinha uma importância tão grande no seu equilíbrio psicossomático que começara mesmo a ansiar pelo momento de beber o cafézinho, pelo tremendo prazer que lhe dava o pôr as unhas em pinça, agarrar o pêlo o mais fundo possível e dar-lhe o valente puxão que o fazia sair, esfregar as pontas dos dedos para o soltar no chão e dar o primeiro golinho na escaldante biquéfia.
A kierkegaardiana angústia da espera... A chegada do inefável momento... A doce e infantil antecipação do prazer lúdico... A ligeira dorzinha que sentia quando puxava o pêlo.. O renascido arrepio na espinha que parecia um choque eléctrico... O posterior esfumar da emoção... A ânsia da espera e a certitude de nova ocasião...
Ah, como isso o fazia gozar!
Sobretudo de maus hábitos...
É difícil ganhar os bons hábitos. É fácil perder os bons hábitos. É fácil ganhar os maus hábitos. É difícil perder os maus hábitos.
E será mesmo verdade que o hábito faz o monge? Ou será o monge quem faz o hábito? E quem tem um hábito é necessariamente monge? A ser assim, como o homem é um animal de habitos, o homem é inevitavelmente um monge:
Ele tinha um hábito.
Um tanto ou quanto invulgar, é certo, mas na verdade nada de paranóico ou doentio.
Era um hábito incomum mas inofensivo. Tinha o hábito de arrancar um pêlo que lhe crescia de tempos em tempos no orifício da orelha direita, com as unhas em pinça do médio e do polegar.
Mas não era apenas isto. Fazia-o sempre e imediatamente antes de tomar uma bica. E só antes de tomar uma bica.
O hábito não se estendia a nenhuma outra ocasião diurna, nocturna ou de lusco-fusco. Os elementos comuns eram o pêlo na orelha e a bica.
Onde quer que estivesse, com quem estivesse, quando quer que fosse. E se bebesse 8 bicas num dia fazia-o 8 vezes, uma por cada bica (o pêlo era de crescimento acelerado, efeito da toma de vitaminas soviéticas, reminiscências quinquenais estalinistas...)
O hábito tinha uma importância tão grande no seu equilíbrio psicossomático que começara mesmo a ansiar pelo momento de beber o cafézinho, pelo tremendo prazer que lhe dava o pôr as unhas em pinça, agarrar o pêlo o mais fundo possível e dar-lhe o valente puxão que o fazia sair, esfregar as pontas dos dedos para o soltar no chão e dar o primeiro golinho na escaldante biquéfia.
A kierkegaardiana angústia da espera... A chegada do inefável momento... A doce e infantil antecipação do prazer lúdico... A ligeira dorzinha que sentia quando puxava o pêlo.. O renascido arrepio na espinha que parecia um choque eléctrico... O posterior esfumar da emoção... A ânsia da espera e a certitude de nova ocasião...
Ah, como isso o fazia gozar!
quarta-feira, maio 19, 2004
Oh zé, BEM-VINDO à capital!
O Pedro Saloio Lopes veio à tv dizer que a culpa do BENVINDO é de haver muitos brasileiros e ucranianos a trabalhar em Portugal !!!
E que a grande maioria deles não sabe escrever correctamente o português de Portugal !!!
Brilhante !!! P'ra xenofobia e filha-da-mãezice não 'tá mal não senhor.
A pressa em pôr as coisas 'na rua' e o 'despachamessamerda' não é pr'aqui chamada...
O supervisor que aprova a maqueta do trabalho também não é pr'aqui chamado...
O responsável por acompanhar as saídas e/ou ver a colocação também não...
Muito menos o Director de Arte que gere toda a campanha...
Não... o zé é que tem a culpa, chame-se josé, zé carioca ou josevsky ou outra coisa qualquer, que línguas estrangeiras não são o meu forte...
E ficámos também a saber que o tipo que cometeu o erro (não o 'responsável' por ele, mas o que o 'cometeu'...) vai levar um tabefe.
Ou seja, o zé vai ser despedido.
Oh zé, BEM-VINDO à capital do 'eu não tenho culpa'!
PUTA QUE PARIU !!!
E que a grande maioria deles não sabe escrever correctamente o português de Portugal !!!
Brilhante !!! P'ra xenofobia e filha-da-mãezice não 'tá mal não senhor.
A pressa em pôr as coisas 'na rua' e o 'despachamessamerda' não é pr'aqui chamada...
O supervisor que aprova a maqueta do trabalho também não é pr'aqui chamado...
O responsável por acompanhar as saídas e/ou ver a colocação também não...
Muito menos o Director de Arte que gere toda a campanha...
Não... o zé é que tem a culpa, chame-se josé, zé carioca ou josevsky ou outra coisa qualquer, que línguas estrangeiras não são o meu forte...
E ficámos também a saber que o tipo que cometeu o erro (não o 'responsável' por ele, mas o que o 'cometeu'...) vai levar um tabefe.
Ou seja, o zé vai ser despedido.
Oh zé, BEM-VINDO à capital do 'eu não tenho culpa'!
PUTA QUE PARIU !!!
quinta-feira, maio 13, 2004
pedagogia paterna
— Oh paizinho, o que era a pide?
— Meu filho, era um grupo de rapazes que gostavam de jogar à bola com as cabeças dos presos políticos.
— Oh paizinho, o que é um preso político?
— ... É o que te vai acontecer se não paras com a merda das perguntas!
— Meu filho, era um grupo de rapazes que gostavam de jogar à bola com as cabeças dos presos políticos.
— Oh paizinho, o que é um preso político?
— ... É o que te vai acontecer se não paras com a merda das perguntas!
terça-feira, maio 04, 2004
vomitorium...
Hoje apetece-me VOMITAR. Então cá vai:
1. O mundo é uma pívia batida sem convicção (auxiliar para os irmãos de terras de Vera Cruz menos familiarizados com o português-português: pívia = punheta; batida = tocada).
2. Ser português é ter o privilégio de pertencer a um povo de putas, mulas, ratas de sacristia, cabrões, paneleiros, maricas e cobardolas (escolha a sua opção).
3. O governo da nação está entregue a um cóio de palermas, eleito pela palermeira. Cada povo tem o governo que merece. E vice-versa, hé-hé.
4. Às vezes sinto vontade de rebentar com esta merda toda...
5. Penso no estado da nação e apetece-me dizer palavrões, foda-se!
6. É ridícula a ilusão de grandiosidade acreditada pelos portugueses e alimentada pelos sabujos da política e do futebol. Puta que os pariu!
7. Tenho que explodir! BUM !!!
8. Os portugueses vivem numa esquizofrenia-histérica da qual não têm percepção ou consciência.
9. Cheira-me que o Isaltino vai ser outra vez presidente da Câmara de Oeiras (reler o vómito n.º 2).
10. As eleições e os seus resultados são a expressão maior do 'atraso mental' dos portugueses.
11. Os portugueses ADORAVAM que houvesse um atentado da Al-Qaeda em Portugal, para o país aparecer nas manchetes de todo o mundo e sentirem-se importantes e que valem alguma coisa aos olhos dos outros!!! Quem não acredita nisto veja a profusão de e-mails a alertarem para a possibilidade (recebi um que dizia para não bebermos Coca-Cola durante o Euro porque...)
1. O mundo é uma pívia batida sem convicção (auxiliar para os irmãos de terras de Vera Cruz menos familiarizados com o português-português: pívia = punheta; batida = tocada).
2. Ser português é ter o privilégio de pertencer a um povo de putas, mulas, ratas de sacristia, cabrões, paneleiros, maricas e cobardolas (escolha a sua opção).
3. O governo da nação está entregue a um cóio de palermas, eleito pela palermeira. Cada povo tem o governo que merece. E vice-versa, hé-hé.
4. Às vezes sinto vontade de rebentar com esta merda toda...
5. Penso no estado da nação e apetece-me dizer palavrões, foda-se!
6. É ridícula a ilusão de grandiosidade acreditada pelos portugueses e alimentada pelos sabujos da política e do futebol. Puta que os pariu!
7. Tenho que explodir! BUM !!!
8. Os portugueses vivem numa esquizofrenia-histérica da qual não têm percepção ou consciência.
9. Cheira-me que o Isaltino vai ser outra vez presidente da Câmara de Oeiras (reler o vómito n.º 2).
10. As eleições e os seus resultados são a expressão maior do 'atraso mental' dos portugueses.
11. Os portugueses ADORAVAM que houvesse um atentado da Al-Qaeda em Portugal, para o país aparecer nas manchetes de todo o mundo e sentirem-se importantes e que valem alguma coisa aos olhos dos outros!!! Quem não acredita nisto veja a profusão de e-mails a alertarem para a possibilidade (recebi um que dizia para não bebermos Coca-Cola durante o Euro porque...)
domingo, abril 25, 2004
o pai natal existe.
Claro que acredito na existência do pai natal.
Ele existe mesmo.
O que não entende quem nele não acredita é que ele é um ser polimorfo capaz de assumir as mais diversas formas e aparências e manifestar-se com o aspecto que desejarmos.
Na minha vida sempre me apareceu sob a forma de familiares e amigos. E sempre me deu presentes.
Talvez, precisamente, porque sempre acreditei nele!
Ele existe mesmo.
O que não entende quem nele não acredita é que ele é um ser polimorfo capaz de assumir as mais diversas formas e aparências e manifestar-se com o aspecto que desejarmos.
Na minha vida sempre me apareceu sob a forma de familiares e amigos. E sempre me deu presentes.
Talvez, precisamente, porque sempre acreditei nele!
portugal, país de pandeleiros.
Humilde contribuição para uma futura "Grande Enciclopédia do Bem Falar e do Bem Escrever a Língua Portuguesa":
Pandela - s. m. (do gr. paneyós, do b-lat. panna ou do lat. pandellum através do cast. pandelò), instrumento musical de sopro e percussão accionado por uma haste grossa, rígida e lubrificada que, por acção do tocador, executa um movimento de vaivém numa espécie de cabaça dupla, através de um orifício habitualmente estreito situado no rego da cabaça.
O som é produzido pelo bater ritmado da haste nas paredes interiores da cabaça, enviado por tubos internos e amplificado por um dispositivo 'labial' que produz ressonância e que emite um som do tipo 'Ai-Úi'.
A amplitude e qualidade sonoras dependem da lubrificação da haste, da qualidade da cabaça, da técnica e da destreza do tocador.
Pandeleiro - s. m. (de Pandela), 1. tocador de Pandela; 2. fabricante de Pandelas; activista ou agente da pandeleirice, do pandeleirismo (V.); 3. sinónimo de ministro.
Pandela - s. m. (do gr. paneyós, do b-lat. panna ou do lat. pandellum através do cast. pandelò), instrumento musical de sopro e percussão accionado por uma haste grossa, rígida e lubrificada que, por acção do tocador, executa um movimento de vaivém numa espécie de cabaça dupla, através de um orifício habitualmente estreito situado no rego da cabaça.
O som é produzido pelo bater ritmado da haste nas paredes interiores da cabaça, enviado por tubos internos e amplificado por um dispositivo 'labial' que produz ressonância e que emite um som do tipo 'Ai-Úi'.
A amplitude e qualidade sonoras dependem da lubrificação da haste, da qualidade da cabaça, da técnica e da destreza do tocador.
Pandeleiro - s. m. (de Pandela), 1. tocador de Pandela; 2. fabricante de Pandelas; activista ou agente da pandeleirice, do pandeleirismo (V.); 3. sinónimo de ministro.
existência, essência.
Nenhuma tem o primado sobre a outra. Nenhuma precede a outra. Ambas se constituem num esquema de simultaneidade no instante de afirmação do Ser . Ser que não-era e que passa-a-ser. Assim se afirmam o corpo e o espírito. Numa simbiose iniludível e indissolúvel, até à sobreviência da dissolução de ambos no vazio, no nada.
Com o que se desintegra aquele ser particular, contingente.
Com o que se desintegra aquele ser particular, contingente.
na minha terra as cotovias são pretas.
Olha um melro.
Não é, é uma cotovia.
É um melro!
Aquilo é preto, as cotovias são cinzentas com pintas escuras. Ah, e não poisam nas árvores.
São pretas!
Só se for na tua terra...
São pretas, porra! As cotovias são pretas. Então eu não sei o que é uma cotovia!?
O sábio aponta para a Lua, o ignorante olha para o dedo.
Não é, é uma cotovia.
É um melro!
Aquilo é preto, as cotovias são cinzentas com pintas escuras. Ah, e não poisam nas árvores.
São pretas!
Só se for na tua terra...
São pretas, porra! As cotovias são pretas. Então eu não sei o que é uma cotovia!?
O sábio aponta para a Lua, o ignorante olha para o dedo.
não tenho que ser inteligente
Eu não tenho que ser inteligente pelos outros.
Bem me basta o esforço para eu próprio ser inteligente.
Penso, apresento as minhas ideias, argumento-as.
Fica ao critério de cada um pensá-las, julgá-las, aceitá-las ou rejeitá-las.
Homines quod volunt credunt (Os homens acreditam naquilo que querem)
Bem me basta o esforço para eu próprio ser inteligente.
Penso, apresento as minhas ideias, argumento-as.
Fica ao critério de cada um pensá-las, julgá-las, aceitá-las ou rejeitá-las.
Homines quod volunt credunt (Os homens acreditam naquilo que querem)
devo ser um génio...
Oiço tocar um despertador.
Não fui eu quem o pôs para aquela hora.
Deduzo que foi a outra pessoa.
Vejo que ela não acordou.
Acordo-a eu.
sou um génio certamente!
Não fui eu quem o pôs para aquela hora.
Deduzo que foi a outra pessoa.
Vejo que ela não acordou.
Acordo-a eu.
sou um génio certamente!
quinta-feira, abril 08, 2004
elo perdido...
Quando Darwin morreu e chegou ao pé de Deus, disse-Lhe:
— Olha, só lamento nunca ter encontrado o elo perdido.
Ao que Deus respondeu:
— Pois claro que não encontraste. Não acreditavas verdadeiramente nele. Porque... o elo perdido sou Eu!
"nisi credideritis, non intelligetis."
— Olha, só lamento nunca ter encontrado o elo perdido.
Ao que Deus respondeu:
— Pois claro que não encontraste. Não acreditavas verdadeiramente nele. Porque... o elo perdido sou Eu!
"nisi credideritis, non intelligetis."
elogio clitoridiano...
Estava na hora, no minuto, no segundo, no décimo, no centésimo, no milésimo, no avo. Estava no momentum.
Sentiu o impulso incontornável, electrizante, fremente e vibrátil. A memória do aroma e do sabor fez-lhe eriçar os pêlos da nuca e espreguiçar o pescoço de furúnculos adiados e carótidas obscenamente palpitantes. A fronte encheu-se-lhe de gotículas sudantes. Não podia, não conseguia, não queria, esperar mais.
Como uma fedorenta tainha fora de água, de boca escancarada como se lhe faltasse o ar, caiu de borco. A língua saltou-lhe da boca como se fora um camaleão à cata dum insecto. E como um camaleão revirou os olhos em todas as direcções, sofrêgo, em busca da humidade quente. O véu grosso que se opunha ao desejo partilhado foi escorraçado para uma galáxia a 7 000 anos-luz, ali para os lados do braço de Perseu.
A consumação foi lenta e rigorosa. Metódica. Cirúrgica. O tempo eternizara-se. Simplesmente, ou talvez complexamente (quem o poderia dizer?), trombou. Alto e bom-som troaram as trombetas.
Era um magnífico trombeiro!
"Não é para quem quer mas para quem pode" diz o povo.
"Não é para quem quer nem para quem pode mas... para quem sabe!" digo eu, que gosto de dizer coisas...
Sentiu o impulso incontornável, electrizante, fremente e vibrátil. A memória do aroma e do sabor fez-lhe eriçar os pêlos da nuca e espreguiçar o pescoço de furúnculos adiados e carótidas obscenamente palpitantes. A fronte encheu-se-lhe de gotículas sudantes. Não podia, não conseguia, não queria, esperar mais.
Como uma fedorenta tainha fora de água, de boca escancarada como se lhe faltasse o ar, caiu de borco. A língua saltou-lhe da boca como se fora um camaleão à cata dum insecto. E como um camaleão revirou os olhos em todas as direcções, sofrêgo, em busca da humidade quente. O véu grosso que se opunha ao desejo partilhado foi escorraçado para uma galáxia a 7 000 anos-luz, ali para os lados do braço de Perseu.
A consumação foi lenta e rigorosa. Metódica. Cirúrgica. O tempo eternizara-se. Simplesmente, ou talvez complexamente (quem o poderia dizer?), trombou. Alto e bom-som troaram as trombetas.
Era um magnífico trombeiro!
"Não é para quem quer mas para quem pode" diz o povo.
"Não é para quem quer nem para quem pode mas... para quem sabe!" digo eu, que gosto de dizer coisas...
saber veraneante.
Esta ideia emergiu subrepticiamente no meu espírito quando vinha na camioneta (subliminaridade do tremor, físico e não kierkegaardiano..., causado pelo 'maxibombo'?)
Estava a pensar naquelas pessoas que dizem que conhecem muito bem uma localidade, zona ou região apenas porque passaram por lá meia dúzia de vezes em viagens de férias ou trabalho.
Passaram, olharam à volta e muitas vezes nem sequer pararam para beber um café ou tirar uma foto do sítio ou passear um pouco pelos 'becos', para reparar no tal pormenor insólito ou característico que não vem descrito em lugar algum.
Ou mesmo para dar dois dedos de conversa com os autóctones e conhecer os seus 'seres e saberes' (onto-antropo fundamental à gnose e ao logos).
Mas dizem que o conhecem muito bem...
Conhecer bem um lugar significa ter vivenciado esse lugar, ter lá vivido durante algum tempo (muito ou pouco é subjectivo e mesmo variável no interior da própria subjectividade do 'ego', ou seja, para o próprio 'o muito de ontem pode ser o pouco de agora'...).
Ter 'saboreado' o lugar com a plenitude do corpo e do espírito.
Ter tido emoções, sensações, visões e paixões nesse lugar.
E essas paixões não terem sido fugazes, de passante e de passagem, mas sim profundas e perenes, daquelas que se gravam a fogo no corpo e na alma como uma tatuagem indelével que um dia volta ao pó connosco.
Ocorreu-me que esta ideia pode ser transposta para o intelectual.
Pode-se ter um 'saber veraneante' de uma ideia, de uma área do conhecimento, de um livro, da arte, da ciência, da religião, etc., do que quer que seja que pertença ao universo da cultura e da intelectualidade.
E há tantos portugueses veraneantes da cultura...
Estava a pensar naquelas pessoas que dizem que conhecem muito bem uma localidade, zona ou região apenas porque passaram por lá meia dúzia de vezes em viagens de férias ou trabalho.
Passaram, olharam à volta e muitas vezes nem sequer pararam para beber um café ou tirar uma foto do sítio ou passear um pouco pelos 'becos', para reparar no tal pormenor insólito ou característico que não vem descrito em lugar algum.
Ou mesmo para dar dois dedos de conversa com os autóctones e conhecer os seus 'seres e saberes' (onto-antropo fundamental à gnose e ao logos).
Mas dizem que o conhecem muito bem...
Conhecer bem um lugar significa ter vivenciado esse lugar, ter lá vivido durante algum tempo (muito ou pouco é subjectivo e mesmo variável no interior da própria subjectividade do 'ego', ou seja, para o próprio 'o muito de ontem pode ser o pouco de agora'...).
Ter 'saboreado' o lugar com a plenitude do corpo e do espírito.
Ter tido emoções, sensações, visões e paixões nesse lugar.
E essas paixões não terem sido fugazes, de passante e de passagem, mas sim profundas e perenes, daquelas que se gravam a fogo no corpo e na alma como uma tatuagem indelével que um dia volta ao pó connosco.
Ocorreu-me que esta ideia pode ser transposta para o intelectual.
Pode-se ter um 'saber veraneante' de uma ideia, de uma área do conhecimento, de um livro, da arte, da ciência, da religião, etc., do que quer que seja que pertença ao universo da cultura e da intelectualidade.
E há tantos portugueses veraneantes da cultura...
terça-feira, março 16, 2004
rir baixinho é opinar...
por vezes quando alguém perto de mim expressa uma hipocrisia, uma falácia ou uma contradição evidente olho para os desenhos feitos de fios coloridos na toalha da mesa, para as nódoas de vinho em torno do copo, para os restos de frango ou carapau assado dentro do prato, para as migalhas deixadas pela fatia de pão, que todos eles me fitam indiferentes à irracionalidade, à incongruência pseudopensante, à anorexia mental, e rio baixinho. às vezes até acontece virem-me à memória os lógicos, os racionalistas, os dialécticos, os realistas e outros mais que muitos houve que tanto esforço fizeram para dar ao mundo uma forma matricial perfeitamente entendível e compreensível e na qual não existisse lugar a dúvidas ou contradições.
Rio baixinho. É a minha opinião sobre a ideia expressa pelo ente des-ente que desentende...
Rio baixinho. É a minha opinião sobre a ideia expressa pelo ente des-ente que desentende...
receita rápida para confeccionar um tridente...
em primeiro lugar e antes de qualquer outra consideração ou acção tenha em conta que de acordo com o dicionário, um tridente é um instrumento ou objecto com três dentes. de acordo com esta definição uma pessoa idosa, uma criança ou um animal que só tenha três dentes é um tridente... assim como um alho nas mesmas condições ou um etc.
passemos de imediato à receita:
1. pegue uma fina roda dentada de tamanho médio e seque-a bem seca com um pano que não largue pêlo - pode usar uma das do mecanismo do velho relógio de cuco de parede, herança da sua avó Guilhermina que era casada com o bigodudo tio Albertino que morreu gaseado e maluco na Primeira Grande Guerra na Flandres.
2. com um alicate de pontas de boa qualidade vá removendo os dentes até sobrarem apenas três. pare por aqui senão estraga tudo - muito importante: agarre os dentes firmemente e torça o alicate no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio; se tiver dúvidas sobre em que sentido se movem os ponteiros de um relógio, consulte a edição de Abril de 1934 do Borda d'Água ou, como quem não quer a coisa, pergunte à vizinha mula do 3.º esq., aquela que lhe pediu um ovo emprestado e que nunca mais o devolveu.
3. sirva o tridente num chapéu de palha ou numa frigideira enfeitada a gosto.
4. sugestão do Chef - barre uma tampa de um tacho de alumínio com uma mistura de patè de sardinha com margarina rançosa, coloque o tridente no centro sobre um raminho de coentros, enfeite à volta com beatas de cigarros sem filtro e, se conseguir (talvez num bom mini-mercado chinês), algumas caganitas de ratazana. Acompanhe com um tinto da Bairrada ou com leite magro açoreano.
Bon appétit !
passemos de imediato à receita:
1. pegue uma fina roda dentada de tamanho médio e seque-a bem seca com um pano que não largue pêlo - pode usar uma das do mecanismo do velho relógio de cuco de parede, herança da sua avó Guilhermina que era casada com o bigodudo tio Albertino que morreu gaseado e maluco na Primeira Grande Guerra na Flandres.
2. com um alicate de pontas de boa qualidade vá removendo os dentes até sobrarem apenas três. pare por aqui senão estraga tudo - muito importante: agarre os dentes firmemente e torça o alicate no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio; se tiver dúvidas sobre em que sentido se movem os ponteiros de um relógio, consulte a edição de Abril de 1934 do Borda d'Água ou, como quem não quer a coisa, pergunte à vizinha mula do 3.º esq., aquela que lhe pediu um ovo emprestado e que nunca mais o devolveu.
3. sirva o tridente num chapéu de palha ou numa frigideira enfeitada a gosto.
4. sugestão do Chef - barre uma tampa de um tacho de alumínio com uma mistura de patè de sardinha com margarina rançosa, coloque o tridente no centro sobre um raminho de coentros, enfeite à volta com beatas de cigarros sem filtro e, se conseguir (talvez num bom mini-mercado chinês), algumas caganitas de ratazana. Acompanhe com um tinto da Bairrada ou com leite magro açoreano.
Bon appétit !
onde está o centro do universo?
o universo é infinito mas limitado.
o seu centro, para ser centro, tem que estar à mesma distância de todos os pontos do seu limite.
ora o limite do universo é a velocidade da luz (até ver...)
nada pode passar para lá desse limite e ele está em toda e qualquer direcção a qualquer distância, porque em qualquer direcção e a qualquer distância esse limite não pode ser ultrapassado.
ou seja, esse limite está mesmo aqui ao meu lado, tal como está ao pé da Lua, de Saturno ou em qualquer outro lugar do universo.
logo o centro do universo tem necessariamente que estar em todos os lugares, em todos os pontos do universo!
o universo é o centro de si mesmo.
o seu centro, para ser centro, tem que estar à mesma distância de todos os pontos do seu limite.
ora o limite do universo é a velocidade da luz (até ver...)
nada pode passar para lá desse limite e ele está em toda e qualquer direcção a qualquer distância, porque em qualquer direcção e a qualquer distância esse limite não pode ser ultrapassado.
ou seja, esse limite está mesmo aqui ao meu lado, tal como está ao pé da Lua, de Saturno ou em qualquer outro lugar do universo.
logo o centro do universo tem necessariamente que estar em todos os lugares, em todos os pontos do universo!
o universo é o centro de si mesmo.
fragmento idiota (de ideia)...
uma coisa que os portugueses não conseguem compreender, apesar de estar à volta deles (até nos seus próprios locais de trabalho) e não ser preciso ser 'doutor' para o ver, é que o ser competente numa determinada actividade não implica que o indivíduo o seja em qualquer coisa 'que lhe ponham sobre a secretária'.
e depois temos, p. ex., professores universitários competentíssimos a exercer incompetentíssimamente cargos públicos... e etc...
quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
e depois temos, p. ex., professores universitários competentíssimos a exercer incompetentíssimamente cargos públicos... e etc...
quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?
Brecht, in memoriam...
a lei fora aprovada quase por unanimidade. e os poucos que votaram contra fizeram-no apenas por isso mesmo. eram do contra.
se já era proibído em transportes públicos, escolas, hospitais e diversos locais fechados, públicos ou privados, agora era proibído também nos locais de trabalho.
alguns meses depois o parlamento aprovou nova extensão da proibição, desta feita referente a restaurantes, cafés, bares, discotecas, snacks e todos os locais de restauração.
não demoraram muito a estender a proibição à rua. ninguém protestou, já estavam habituados.
e todos os condomínios, brilhantemente inspirados, impuseram-na mesmo em toda a área exterior e interior dos respectivos prédios.
as praias, os campos de futebol, salas de bilhar, recintos desportivos, carros, camiões, jardins, parques, rios, lagos, mares, planícies, montes, colinas, montanhas e vales, nada escapou à sanha proibicionista. foi um fartar vilanagem.
o governo fez as polícias instalarem câmaras de vigilância e detectores no interior das residências e das viaturas particulares para garantir que a proibição era total e respeitada. os prevaricadores eram severamente punidos.
nisi credideritis non intelligetis...
se já era proibído em transportes públicos, escolas, hospitais e diversos locais fechados, públicos ou privados, agora era proibído também nos locais de trabalho.
alguns meses depois o parlamento aprovou nova extensão da proibição, desta feita referente a restaurantes, cafés, bares, discotecas, snacks e todos os locais de restauração.
não demoraram muito a estender a proibição à rua. ninguém protestou, já estavam habituados.
e todos os condomínios, brilhantemente inspirados, impuseram-na mesmo em toda a área exterior e interior dos respectivos prédios.
as praias, os campos de futebol, salas de bilhar, recintos desportivos, carros, camiões, jardins, parques, rios, lagos, mares, planícies, montes, colinas, montanhas e vales, nada escapou à sanha proibicionista. foi um fartar vilanagem.
o governo fez as polícias instalarem câmaras de vigilância e detectores no interior das residências e das viaturas particulares para garantir que a proibição era total e respeitada. os prevaricadores eram severamente punidos.
nisi credideritis non intelligetis...
despropósito ou era uma vez o Morin...
o homem é o único ser que destrói outros seres da sua espécie, é verdade.
mas é também o único ser capaz de dar a sua própria vida para salvar a vida doutro ser, da sua ou de outra espécie.
glosando alguém que não aprecio nem um poucoxinho: uma coisa me enche a alma de uma estranheza imensa e de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes - o céu ainda estrelado e... 'ainda' sobre mim!
mas é também o único ser capaz de dar a sua própria vida para salvar a vida doutro ser, da sua ou de outra espécie.
glosando alguém que não aprecio nem um poucoxinho: uma coisa me enche a alma de uma estranheza imensa e de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes - o céu ainda estrelado e... 'ainda' sobre mim!
segunda-feira, janeiro 05, 2004
morfogénese em lume brando...
Pegou com gestos calmos e lentos na fina e esbranquiçada vela de estearina que tirara do pacote de velas que comprara na véspera no pequeno supermercado do bairro, o 'Super-Ali' do indiano Ali, e levou-a para a cozinha onde cuidadosamente a depositou sobre a mesa como se de um objecto precioso se tratasse. Voltou-se e abriu a porta do armário sob o lava-louça e tirou uma frigideira de fundo anti-aderente que colocou sobre um dos bicos do fogão. Com todo o cuidado colocou a vela na vertical, bem equilibrada e perpendicular, dentro da frigideira. Usando com uma gentileza quase erótica o polegar e o indicador, ajeitou-lhe a pontinha do pavio branco, deixando-a eréctil o mais que conseguiu. Riscou a cabeça vermelha dum fósforo na lixa da caixa de fósforos, o qual explodiu numa chama violenta e viva, e acendeu o fogo gasoso sob a frigideira. Rodou o botão regulador da chama rigorosamente até meio. Não queria queimar nada e a receita devia ser seguida à risca sem omissões ou enganos. Puxou um velho banco de madeira de pinho, levantando-o com o dedo médio enfiado pelo orifício central, e sentou-se a olhar atentamente o processo.
Ali ficou em silêncio a observar placidamente aquela metáfora da morfogénese...
Ali ficou em silêncio a observar placidamente aquela metáfora da morfogénese...
quarta-feira, dezembro 03, 2003
sentado na muralha
Estava sentado na muralha da praia vazia. O verão era uma ambição distante. Soprava uma brisa afiada e o céu estava encoberto mas não chovia. Olhava o mar cinzento enquanto fumava um cigarro. Lentamente, levava-o aos lábios e sorvia o fumo quente e agridoce como se áquele nunca mais nenhum outro se seguisse. Olhou a traineira multicolor que vogava próximo, balouçando no seu monótono tú-tú-tú-tú. Vinha cheia de pescado, a julgar pela grande nuvem grisalha que a seguia a curta distância, como um rasto no céu. Ouvia o gritar desesperado da nuvem faminta. Lembrou-se do Fernão Capelo. Por onde andaria ele?
Deu uma última fumaça e atirou a beata para a areia, metro e meio mais abaixo. Viu-a descrever um arco no ar como uma estrela cadente. Seguiu-a com o olhar. Viu-a quando tocou a areia e o murrão explodiu em faúlhitas e, num estertor de morte, lentamente, se apagou.
Levantou os olhos. Procurou a traineira. Afastava-se, cada vez mais longe. As vagas imensas faziam-na desaparecer de vez em quando. Como se se afogasse ciclicamente mil vezes. E outras mil vezes se salvasse.
Deu uma última fumaça e atirou a beata para a areia, metro e meio mais abaixo. Viu-a descrever um arco no ar como uma estrela cadente. Seguiu-a com o olhar. Viu-a quando tocou a areia e o murrão explodiu em faúlhitas e, num estertor de morte, lentamente, se apagou.
Levantou os olhos. Procurou a traineira. Afastava-se, cada vez mais longe. As vagas imensas faziam-na desaparecer de vez em quando. Como se se afogasse ciclicamente mil vezes. E outras mil vezes se salvasse.
sábado, novembro 29, 2003
taílândia, a terra do 'tá aí.
Sabia que no dia anterior, antes de ir para casa, tinha deixado o pequeno agrafador amarelo no seu poiso habitual: sobre o tampo da secretária, do lado esquerdo do monitor, encostado paralelamente à pequena régua 'moinho' de trinta centímetros de plástico azul.
Olhou com atenção redobrada o espaço à sua frente. Tudo estava onde devia estar, excepto o pequeno agrafador amarelo. Este tinha-se evaporado!
Como pessoa de bom senso que se considerava ainda pôs a hipótese de o ter guardado na gaveta, o que seria incomum pois gostava de o ter sempre à mão visto que o utilizava imenso, e tê-lo esquecido. Assim, abriu a gaveta. Apenas para confirmar que também não estava dentro desta.
Só discortinava uma hipótese: que na sua ausência o seu 'vizinho' do lado o tivesse levado e não o tivesse reposto no sítio. Voltou-se na cadeira e fez-lhe a necessária pergunta. A resposta foi o típico "'tá aí!". Ainda esteve para perguntar "aí, onde?" mas lembrou-se do poeta que preferia escorregar nos becos lamacentos...
E aquela terra, aquela taílândia, não era a sua terra. Levantou-se e foi até à secretária do outro, sobre a qual, debaixo duns papéis, encontrou o pequeno agrafador amarelo.
Olhou com atenção redobrada o espaço à sua frente. Tudo estava onde devia estar, excepto o pequeno agrafador amarelo. Este tinha-se evaporado!
Como pessoa de bom senso que se considerava ainda pôs a hipótese de o ter guardado na gaveta, o que seria incomum pois gostava de o ter sempre à mão visto que o utilizava imenso, e tê-lo esquecido. Assim, abriu a gaveta. Apenas para confirmar que também não estava dentro desta.
Só discortinava uma hipótese: que na sua ausência o seu 'vizinho' do lado o tivesse levado e não o tivesse reposto no sítio. Voltou-se na cadeira e fez-lhe a necessária pergunta. A resposta foi o típico "'tá aí!". Ainda esteve para perguntar "aí, onde?" mas lembrou-se do poeta que preferia escorregar nos becos lamacentos...
E aquela terra, aquela taílândia, não era a sua terra. Levantou-se e foi até à secretária do outro, sobre a qual, debaixo duns papéis, encontrou o pequeno agrafador amarelo.
segunda-feira, novembro 24, 2003
uma estória de Natal
Empurraram a figura multicolor de narizinho vermelho e rosto pintado ao longo do corredor cinzento e húmido até à porta de ferro enferrujada, frente à qual se imobilizaram com alguma brusquidão fascizóide.
Um dos dois guardas abriu o ferrolho e empurrou a porta para dentro com força exagerada, o que a fez chiar e bater na parede e ribombar.
O outro guarda empurrou com o comprido bastão a figura multicolor de narizinho vermelho e rosto pintado para dentro do cubículo escuro com violência.
A figura multicolor de narizinho vermelho e rosto pintado tropeçou à entrada, cambaleou, escorregou numa poça de água oleosa e estatelou-se nas lajes de pedra escura como um boneco de trapos.
O guarda fechou a porta e trancou-a com o ferrolho violentamente.
Voltaram-se ambos síncronos para a saída do comprido corredor e sem uma palavra sequer iniciaram a marcha.
Dali a um ano seria novamente Natal.
Um dos dois guardas abriu o ferrolho e empurrou a porta para dentro com força exagerada, o que a fez chiar e bater na parede e ribombar.
O outro guarda empurrou com o comprido bastão a figura multicolor de narizinho vermelho e rosto pintado para dentro do cubículo escuro com violência.
A figura multicolor de narizinho vermelho e rosto pintado tropeçou à entrada, cambaleou, escorregou numa poça de água oleosa e estatelou-se nas lajes de pedra escura como um boneco de trapos.
O guarda fechou a porta e trancou-a com o ferrolho violentamente.
Voltaram-se ambos síncronos para a saída do comprido corredor e sem uma palavra sequer iniciaram a marcha.
Dali a um ano seria novamente Natal.
domingo, novembro 23, 2003
um fausto basílio erudito
Muitas pessoas julgam os gatos pelas unhas... não vêem em profundidade!
Olho para o lado e vejo o meu Fausto Basílio a dormir (será que dorme?) em cima do meu Macintosh Performa 5200, de cujas colunas sai a exaltação de Deus na harmonia celestial do concerto de Brandenburgo n.º 1 bwv 1046 em fá maior de Johann Sebastian Bach.
E interrogo-me: o que vai no espírito do Basílio, tão sereno e concentrado na audição?
Certamente sente a presença de Deus. Aquele olhar não me engana. É o olhar profundo da transcendência! É o inconfundível olhar da inabalável Fé!
Nisi credideritis non intelligetis.
Olho para o lado e vejo o meu Fausto Basílio a dormir (será que dorme?) em cima do meu Macintosh Performa 5200, de cujas colunas sai a exaltação de Deus na harmonia celestial do concerto de Brandenburgo n.º 1 bwv 1046 em fá maior de Johann Sebastian Bach.
E interrogo-me: o que vai no espírito do Basílio, tão sereno e concentrado na audição?
Certamente sente a presença de Deus. Aquele olhar não me engana. É o olhar profundo da transcendência! É o inconfundível olhar da inabalável Fé!
Nisi credideritis non intelligetis.
Subscrever:
Mensagens (Atom)