terça-feira, setembro 08, 2009

soberania



Neste caso da Manuela Moura Guedes e do Jornal da Noite da TVI, o que me está a deixar incomodado e intrigado, não é o xô Sousa, a Manela, com quem nem simpatizo aliás, o primo, o tio, o Louçã, o Jerónimo, o Portas, a Leite, o Cavaco... ou o raio que os parta a todos, quer de esquerda, quer de direita, como diria o Ramalho Eanes que em matéria de carácter e dignidade limparia o cu com estes politicozecos da treta, digo eu que gosto de dizer coisas..., mas uma outra coisa que considero perversa e muito perigosa.


Sendo a TVI uma empresa privada, o que é certo e nesse sentido pode fazer o que quiser - com alguns limites como deixou bem claro o Mário Bettencourt Resende no Jornal da Noite na SIC creio que de 3 de Setembro - a verdade é que a informação jornalística é um serviço público e neste sentido é um direito dos portugueses na democracia que mal ou bem temos.


- Com que direito é que uma empresa espanhola ingere naquilo que é a democracia de um estado soberano e o direito de um povo soberano?!


- Com que direito é que os espanhóis determinam como deve ser a democracia portuguesa e os direitos dos portugueses?!


- O Estado português "cala e consente"?!


Ficam as perguntas.


nota: Não há da minha parte qualquer xenofobia ou intenção de dar continuidade ao ancestral lema que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. São espanhóis como podiam ser alemães, búlgaros ou burkina-fassenses... a questão prende-se com soberania!


Já agora fica também esta notícia:


sexta-feira, 4 de Setembro de 2009 | 08:30


TVI: Ordem para afastar Manuela veio do patrão da Prisa

Foi o patrão da Prisa em Madrid, Juan Luís Cebrián, quem telefonou de Espanha para o director de informação da TVI, João Maia Abreu, ordenando o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do programa que apresentava, o Jornal Nacional de sexta-feira, dos ecrãs do canal de Queluz.

Segundo avança o semanário Sol, a decisão foi tomada ao final da manhã de quinta-feira e comunicada, de imediato, por Maia Abreu, a Manuela Moura Guedes. Que, por sua vez, já assumiu estar surpreendida com a decisão.

O título garante ainda que o spot de promoção ao programa já tinha, de resto, causado mal-estar na administração, por usar imagens do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, e de José Sócrates, com a frase «Neste jornal não se mudam linhas editoriais». [ daqui ]



4 comentários:

Alvaro disse...

Pois eu colocaria a questão de outra forma: como raio foi possível deixar aquele tasco aberto durante tanto tempo?
E olha que eu não sou socretino mas acho que aqueles que agora, quais paladinos, vêm defender o jornal da Manuela Moura Guedes, teriam feito bem em apontar-lhe a lança no primeiro momento em que ela começou a afirmar em vez de informar, a denegrir sem pejo.
Faz falta jornalismo que não tenha medo de investigar, mesmo o primeiro-ministro de um país. Mas então que seja isento, que não busque protagonismo e, sobretudo, que não se alimente do descontentamento social para pintar um retrato de ódios.
Lembram-se que a Manuela Moura Guedes, há não muito tempo, deixou o jornalismo para ser deputada pelo CDS? Acaso a ouviram alguma vez debater o caso dos submarinos, ou das fotocópias no Ministério da Defesa? E não eram esses casos dignos de investigação e, até, mais atentatórios e penalizadores do Estado? Ou, porque o voto já tinha dado destino aos protagonistas, já não era matéria de relevo?
Por favor, que não se use a liberdade de expressão e de informação como arma de arremesso dos que querem, a todo o custo, ter protagonismo. MMG há muitos anos que faz mau jornalismo.

José António disse...

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Pois é caro Álvaro,

Eu já esperava essa reacção de algumas pessoas e até espero outras bem piores...

Como diz o ditado "às vezes ris e ninguém nota, às vezes choras e ninguém repara, experimenta dar um peido!"

A verdade é que toda a gente está preocupada, ou com o Sócrates ou com a Guedes, ou em sair limpo desta sujeira, sem perceber o que do meu ponto de vista é a questão preocupante (que eu levantei), que acho uma questão relevante e fulcral da qual ninguém fala, na qual ninguém parece reparar, nem à esquerda, nem ao centro, nem à direita... Porque será?!

Tudo isso que referes é verdade. Mas, acho, são os habituais fait-divers da política nacional que vão passando e sendo esquecidos sem que se debatam as questões de fundo, a essência da democracia e da soberania, que sinto esfumarem-se aos poucos.

Julgo que deixei bem claro que a minha preocupação é outra.
É sobre esta que eu gostava de ouvir opiniões e ver tomadas atitudes. O resto é política rasca.

Além de que acho que este episódio é apenas a ponta dum icebergue que está a engrossar, com a crescente apropriação despudorada de empresas portuguesas por capitais estrangeiros sem qualquer controlo por parte do estado português. Em áreas sensíveis e determinantes da nossa autonomia. Quanto ao resto das empresas não tenho nada contra.

Depois não digam que eu não avisei...

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OrCa disse...

Pois eu estou muito tentado a afinar a voz pelo teu diapasão...

Verdade seja que a mediocridade espalhafatosa daquele estilo de noticiário tem audiências pela mediocridade cultural em que vamos vegetando.

Mas, em qualquer caso, nada pode justificar aquilo que é uma flagrante ingerência na nossa política interna (e liberdade de expressão) por parte de «alienígenas», a quem, aliás, o poder do dinheiro não deve conferir sequer estatuto de mentores da opinião pública - ainda que o sejam por fraquezas e debilidades várias (leia-se mancomunação) dos poderes políticos.

Mas eles vão entrando e vão-se sentando e vão-se servindo... e nós vamos assistindo e parece não haver Viriato para estes romanos.

Vêm lá os votos. Um pequeno passo e, ainda assim...

Um grande abraço.

José António disse...

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Caro OrCa,

Bem-vindo e grato pela contribuição, extensível ao Álvaro a quem respondi mas a quem me esqueci de agradecer a vinda (talvez porque eu estava mais a dormir do que acordado visto que tal falta de educação não é meu hábito).
Todos os que vierem por bem serão sempre bem recebidos neste humilde espaço, como sempre tem sido, tragam as ideias que trouxerem. E tragam outro amigo também... :)

Com a mediocridade daquele estilo jornalístico, televisivo, e de programação, creio que todos estamos de acordo.
Se tem grande audiência, que dizer de programas como os da Fátima Lopes de manhã na SIC, que acho que já nem existe mas há outro parecido, ou o da tarde, também na 'XIC', chamado As Tares da Júlia, que exploram a história do coitadinho 'traveculoso' e da coitadinha cancerosa e do desgraçadinho que é drogadito, por culpa da sociedade, sempre por culpa da sociedade (nós) que ele não tem culpa de nada coitado é segregado e excluído e está no desemprego só com a pensão de inserção social, ele que nunca fez puto na vida, pensão maior que a de muitos idosos que tiveram uma vida longa e esforçada de trabalho e miséria, mas enfim, o coitadito precisa de ser ajudado, e etc., etc., etc., que a coisa é um sem-fim.

Os porquês do êxito enorme deste tipo de programas? Todos os conhecemos sendo que um dos principais é o baixo nível cultural e intelectual da população em geral. Mas há também factores sociais.
Também acho não ser de menos importância o facto de serem maioritariamente, será?, vistos por idosos e reformados que são quem está em casa ou nos lares e hospitais àquelas horas, e estas pessoas estarem cansadas, quiçá da vida, e de se 'chatearem' com problemas que parecem insolúveis. Aqueles problemas que lhes são apresentados nestes programas são os que tiveram um happy ending e tais pessoas gostam disso. Compreendo-os e aceito. Apesar de achar que é possível uma programação de qualidade, nomeadamente cultural e informativa, sem ser 'chata'.


Como bem entendeste, a questão que levantei foi outra e nada tem a ver com este caso da TVI, que para mim funcionou aqui apenas como o mote para as questões. Poderia ter sido outro, escolhi este por ser uma matéria 'quente' e actual, com uma evidência do meu ponto de vista que noutros casos está demasiado oculta.

Acho que o país anda cego (acomodado?).
Estamos a pagar os erros do passado, claro que estamos, e por isso o meu insurgir contra todas as forças político-partidárias, pois ao longo de 35 anos de Democracia, todas elas participaram e participam desta engrenagem devoradora, trituradora.

Também não advogo que nos transformemos em 'padeiras de Aljubarrota' e saiamos para a rua de pá em punho à bordoada a tudo o que for espanhol ou estrangeiro. Claro que não. Se bem que às vezes vontade não me falta... :)
Gosto de Espanha e dos espanhóis e de lá só tenho bons recuerdos.
Contudo, como referi, acho que o estado português deve ter muita atenção à compra de empresas portuguesas por capitais estrangeiros, sobretudo quando se tratarem de empresas que operam em áreas sensíveis e que de algum modo podem afectar a nossa soberania, como acho que é este caso paradigmático da TVI.

O que se passou com a TVI, e as pessoas não sabem mas eu presumo, passa-se com alguns jornais, alguma imprensa, também eles propriedade de grupos espanhóis.

Note-se que não existe em nenhum jornal nada comparável ao que existia na TVI, quanto a ataques cerrados a Sócrates...

Será só porque os jornalistas de imprensa são todos muito bons jornalistas, muito sérios e éticos, e respeitam a deontologia e etcéteras...?!

Olha! Com isto tudo ficou mais uma questão. Eheh

Forte Abraço e venham de lá as Noites com Poemas!

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