sexta-feira, janeiro 28, 2005

challenger, o desafio


Não podia deixar acabar o dia sem fazer este post. Faço-o ao jeito de homenagem a 7 bravos astronautas que, há 19 anos, neste dia viram chegar ao fim os seus sonhos de glória.

Há acontecimentos que nos marcam profundamente. Sou um daqueles privilegiados que, com 12 anos de idade, esteve de nariz pregado ao televisor durante aquela madrugada a ver as estranhas imagens cinzentas de um mundo distante e surreal que a RTP transmitiu na célebre e histórica descida do Homem na Lua (20 de Julho de 1969, 4:17;42 pm Eastern Daylight Time). Sentia-me fascinado por tudo o que dizia respeito às viagens espaciais. Recortava as reportagens que apareciam no Diário Popular e no Diário de Notícias, via qualquer e todo o programa que fosse transmitido sobre o assunto, lia romances de ficção científica, sabia os nomes de imensas estrelas e constelações, conhecia múltiplos pormenores das missões Mercury e Apollo, sonhava ser astronauta...
Esse fascínio continuou pelos anos fora, mesmo depois de se terem de algum modo banalizado as viagens espaciais. Sempre que me era possível, assistia às emissões em directo dos lançamentos e regressos das naves e às transmissões de bordo das mesmas.

O dia 28 de Janeiro de 1986 não seria excepção.
Eu estava em casa e a emissão era em directo como já se tinha tornado hábito. Eu aguardava ansiosamente pelo começoo da transmissão e via os flashbacks que iam sendo transmitidos. Mas por vezes o corpo domina a nossa vontade e o inevitável acontece. Há necessidades imperiosas que temos que satisfazer, por muito que as queiramos contrariar. Foi o que me sucedeu. Uma forte e iniludível dor de barriga levou-me ao w.c., precisamente um ou dois minutos antes da contagem decrescente. Pelo que já não assisti às imagens (fá-lo-ia mais tarde, pois foram a notícia do dia). Contudo, tinha o volume da televisão elevado, pelo que no w.c. conseguia acompanhar o som e ouvir o locutor. Assim, senti todo o horror e a dor da tragédia.

Às 11:38:73 locais (16;38:73 em Lisboa) o Space Shuttle CHALLENGER (STA-099, OV-99), missão 51-L, EXPLODIA. Morreram todos os membros da tripulação. Eis os seus nomes:
Francis R. (Dick) Scobee (Commander), Michael John Smith (Pilot), Ellison S. Onizuka (Mission Specialist One), Judith Arlene Resnik (Mission Specialist Two), Ronald Erwin McNair (Mission Specialist Three), Sharon Christa McAuliffe (Payload Specialist One) e Gregory Bruce Jarvis (Payload Specialist Two).

" (...) We will never forget them, nor the last time we saw them, this morning, as they prepared for their journey and waved goodbye and "slipped the surly bonds of earth" to "touch the face of God."

quinta-feira, janeiro 27, 2005

locale fluidu


Paredes brancas. Brancas leitosas, plásticas. Rasgadas aqui e ali por fendas, como raios negros. Manchadas ali e acolá por borrões arroxeados, como cagadelas de moscas gigantes.
Água a escorrer pelas paredes. Borrando os raios. Esborratando ainda mais os borrões.
Uma pequena bola azul rola e rebola de um lado para o outro como empurrada por um gato invisível.
O poço no chão não existe. É pintado. Falso. Trompe-l'oeil.
Assim como a porta metálica. Até a ferrugem e os ferrolhos são a fingir.
A luz vem de cima. De algures. Desmaia e escorre pelas paredes. Desliza acompanhando a água na direcção de onde não pode fugir.

Pantha Rei. Ouve-se ressoar ao longe o eco da gargalhada meio abafada de Heráclito.

sábado, janeiro 08, 2005

aposto que os gajos da TvCabo usam windows...


Por vezes pergunto a mim mesmo se certas coisas acontecem de facto por acaso ou...

Senão vejamos:
A estória que coloco aqui já me aconteceu umas 2 ou 3 vezes no último ano. E se eu estou atento, quantos milhares de incautos não dão por ela e... lá vão mais umas massas engrossar a bojuda conta bancária da TvCabo, que mesmo que passado algum tempo reponha a situação, teve lá o dinheiro durante algum tempo a capitalizar juros na sua conta...

Explico melhor a 'técnica':
Recebi hoje a habitual factura mensal da TvCabo. Até aqui tudo normal. Acontece que o valor a pagar era a duplicar, incluindo o montante da factura anterior, montante este, segundo eles, em dívida. Claro que no mês passado paguei em devido tempo a factura anterior e dentro da data limite. Tenho esta certeza e já fui à gaveta do móvel da sala fazer a confirmação. A factura está lá, com o talão Multibanco agrafado, e está paga.

Poder-se-ia pensar numa discrepância temporal de comunicação dos serviços e sistemas associados. Mas hoje em dia tudo, ou quase tudo, é automático e baseado em sistemas informáticos, que trabalham 24h. por dia, todos os dias, à velocidade da luz (pelo menos quando fazemos um pagamento; se consultarmos logo de imediato os movimentos da nossa conta, a massa já voou...)
Ora a factura de Dezembro foi paga dia 27. Esta de hoje foi emitida dia 3. Entre 27 de Dezembro e 3 de Janeiro decorreram 7 dias e os 'computadores' não tiveram tempo para perceber que estava tudo em dia e que não existia nenhum montante em dívida...
Claro que a factura de hoje vem acompanhada de uma carta a dizer que caso a factura anterior tenha sido liquidada, para se pagar apenas o valor correspondente à actual factura.

Mas, quantas pessoas se dão ao trabalho de ler a referida carta?
Quantas pessoas não se limitam a pegar na factura e, na primeira caixa Multibanco pela qual passam, a pagá-la?
Quantas pessoas, no meio das toneladas de facturas que todos os meses recebemos, olham atentamente para o valor das mesmas e se apercebem de que ele está errado?
E o que acontece se uma pessoa pagar de novo o que já pagou? A verba é imediatamente devolvida ou é abatida só na factura do mês seguinte? E será que o sistema detecta facilmente este pagamento duplicado? Se sim, então porque não detectou a duplicação aquando da emissão da factura?

Será mesmo que o problema é do computadores!?
Quase que aposto que os gajos usam windows!

E para terminar, as inevitáveis citações:
«Computers are like air conditioners. They stop working properly when you open Windows» unknown.
«I don't do .INI, .BAT, or .SYS files. I don't assign apps to files. I don't configure peripherals or networks before using them. I have a computer to do all that. I have a Macintosh, not a hobby.» Fritz Anderson.


Usem MACS, porra!

segunda-feira, janeiro 03, 2005

adeus Carol


Arre, que este blog começa cada vez mais a parecer-se com uma página de necrologia...

Sábado último, dia 1 de Janeiro, mais um falecimento.
Desta feita foi a avó da minha esposa Isaura, Carolina de Jesus Nogueira, que aos 92 anos deixou este mundo (talvez sem qualquer vontade de cá voltar).
Pelo menos neste caso, para contrariar os outros, a 'passagem' foi calma e serena, apenas um simples adormecer sem dor.

ADEUS CAROL !