sábado, abril 02, 2005

qu'é feito dos homens!?

Só por curiosidade, fiz uma busca no MSN Paquera (pessoas que procuram outras pessoas para fins de amizade...). Nunca tinha ido a um sítio destes, pois amigos e amigas tenho em número suficiente (poucos mas bons) e, para outros fins, também não tenho razões de queixa.
Mas estava curioso em ver o resultado de uma pesquisa destas e assim fiz. Pus como critérios de busca apenas: entre 40 e 50 anos e em Portugal. O resultado surpreendeu-me, ou talvez não!
Surgiu-me uma lista com um total de 214 mulheres, maioritariamente divorciadas, separadas, solteiras, e algumas viúvas.

É caso para perguntar: Que é feito dos homens!?

Agora a sério:
É impressionante a solidão em que as pessoas vivem. Já aqui o tenho referido.
Quanto mais, melhores e mais rápidos meios de comunicação temos, menos comunicamos uns com os outros, e mais isolados vivemos, fechados no nosso interior, incapazes de exteriorizar o nosso ser, por falta de um receptor francamente aberto a essa exteriorização.
Não admira, então, que alguns dos cursos que hoje dão melhores garantias ao estudante de uma futura vida profissional segura e profícua, e que garantam bons rendimentos, sejam os de Psiquiatria e Psicologia... Há cada vez mais pessoas a recorrer, ou a necessitar de recorrer, à psicoterapia.

Numa relação causal, de causa-efeito, atribuo a causa ao ritmo alucinante em que se vive hoje em dia.
As pessoas correm desabridamente de um lado para o outro, sem tempo para nada. Sobretudo sem tempo para pararem um bocadinho e pensarem em si próprias. Bastaria isso, pensarem em si mesmas, para que pensassem nos outros. Pois ao pensarem em si mesmas e baixarem o ritmo, teriam tempo para estar com os outros.
Baixar o ritmo para poder fruir a vida. Viver como se tivéssemos todo o tempo do mundo (e temos...) e não como se o mundo fosse acabar amanhã. Perceber que não temos que viver tudo no mesmo dia, e que o amanhã existe.

A minha canção preferida é do Pedro Abrunhosa e tem por título: É PRECISO TER CALMA.

2 comentários:

Anónimo disse...

É uma bela tese para um mestrado: "A Obcessão Solitária" - o culto desesperado por telemóveis, como se fosse preciso estar sempre "disponível" ou "em contacto"; O culto dos lares da 3ª idade, como se fosse preferível não ver a velhice em vez de aceitá-la...

São uns 'tempos modernos' muito solitários no meio da multidão.

Val

José António disse...

É isso mesmo, Val!

Vivemos no pânico de ficarmos sós.
E contudo fazemos tudo para que aconteça, pois não aprendemos a estar sozinhos, com essa ânsia de estarmos sempre 'em contacto'...